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A morte tem andado ao meu redor, não me ameaçando, mas bem perto de mim e hoje mais uma vez ela conseguiu me deixar pensativa.
Não sei exatamente qual sentimento ela me transmite; talvez medo, talvez tristeza. Não o medo de morrer, medo do que encontrar depois dela, medo pelos que ficam; talvez a dor da separação, da saudade.
A morte é uma forma de libertação. Por que então ela tem o poder de mexer tanto com os que ficam? Será por conta das imagens que ela proporciona? Seria falsa a idéia de libertação?
Por que a morte torna-se tão envolvente, tão desesperadamente inesquecível?
Talvez pela finitude que ela determina.
Ela vai me pegar um dia da mesma forma que vai se impor ao meu lado com as pessoas que amo e eu sei que vou odiá-la, sem que lhe mude a intenção.
A senhora do nosso tempo vai encontrar-me inexoravelmente e nesse dia não vou poder me manifestar para contar como ela é e nem porque me escolheu. Talvez eu a pressinta, contudo não há acordos possíveis para essa ocasião.
De tanto ela me rodear não consigo me livrar dessa sensação fúnebre, nem de deixar de temer que ela ache a minha casa da próxima vez.
O que está faltando para as pessoas se indignarem mais? Que tipo de escândalo mais será preciso para que a sociedade desperte? O que está faltando para que a gente vire esse jogo a nosso favor?
Não temos educação; nem de berço nem acadêmica, faltam profissionais, falta salário para despertar no estudante a vontade de optar pela carreira de educador. Aos pais falta motivação e tempo para cuidar e educar seus filhos já que têm que trabalhar muito para sobreviver.
E os professores? Esses antigamente respeitados hoje ganham mal, não são respeitados nem pelos alunos nem pela própria instituição e estão estressados pega carga horária puxada e por lidararem com alunos cada vez mais sem educação de berço e limites de comportamento.
Não temos hospitais aparelhados para um atendimento minimamente digno, nem remédios para tratar nos hospitais nem para distribuição como prometido. Basta uma pequena visita a um hospital ou posto de saúde para ver como são atendidos os pacientes.
A grande massa mora mal ou de aluguel; o que também não é o melhor devido as condições dessa maneira de viver, trabalha feito louco para sobreviver, levanta muito cedo e anda apertado dentro de uma condução para ganhar um salário que não cobre as despesas.
A falta de segurança e a violência que campeia nosso dia a dia é o resultado dos itens já colocados, aliados a impunidade que grassa nessa "terra brasilis."
Como se não fosse pouco, temos uma classe de cidadãos que vive nababescamente às nossas custas, trabalhando muito, mas muito pouco para honrar os votos dos que os elegeram e descaradamente roubando o dinheiro suado dos nossos impostos.
Temos um Congresso inchado de políticos lobistas, corruptos que não se envergonham de tratar com indecência dos direitos dos seus concidadãos. Para essa classe de "cidadãos" o Brasil é somente o mundinho em que eles vivem; que é feito de conchavos e arranjos todos com intuito de tirar dinheiro do bolso do contribuinte: VOCÊ, pobre eleitor e trabalhador!
Mas não pense que só lá no Congresso e Senado está essa "classe" de cidadãos que só olha para o próprio umbigo, ela está também no Estado, na Assembléia, na Câmara de Vereadores e nas Prefeituras, ou seja: Estão em todo lugar que possa manipular o seu dinheiro, dando a você pobre cidadão migalhas, só migalhas.
Não importa o que reza a constituição ela não é cumprida quando se trata do NOSSO direito e dos deveres deles.
Todos os dias a mídia escrita e falada estampa na nossa cara um escândalo novo, cifras incontáveis desviadas do nosso suado dinheirinho para o patrimônio desses "cidadãos". Vira e mexe e NADA acontece com ninguém apesar de todo estardalhaço feito na imprensa.
De vez em quando se caça um desses políticos, mas ele não sai de lá, logo assume outra pasta, outra posição ou volta pelo SEU voto, eleitor esquecido! A impunidade é alarmante e o que nós estamos fazendo??
Quando é que nós; eleitores e trabalhadores e esmagadora maioria vamos dar fim nessa safadeza sem fim?? Ou vamos continuar sentados em frente a televisão e o PC assistindo candidamente o assalto diário do nosso bolso?
Até quando nós vamos nos contentar com as migalhas que nos é dada, enquanto essa "classe de cidadãos" continua engordar sua conta com o nosso dinheiro?
De que adianta ser a 6ª economia do mundo se o povo não disfruta da riqueza e nem tem educação e saúde??
Parece que estamos confortáveis nesse papel passivo. Até quando heim???
Acorda Brasil!!!!!!! Essa terra com suas riquezas é nossa, então não vamos deixar que nos passem recibo de tolos. Não vamos permitir que continuem nos tratando como um bando de bobos covardes! Chega de se curvar e aceitar menos do que é nosso por direito!!
As câmeras nos espionam por todos os lados, onde quer que estejamos há sempre alguém com um celular pronto para nos flagrar.
Da mesma forma a imprensa, a mídia também parece estar em todos os cantos à cata de notícias. É claro que há o lado bom e o lado ruim, como em tudo na vida. O lado bom é que nada errado fica em descoberto já que a mídia transforma em notícia tudo que soa como ruim ou suspeito e com isso o que for crime é fartamente explorado e exaustivamente exposto para o público. A punição é um capítulo à parte que eu não vou entrar aqui.
Com esse bando de gente tomando conta de nossas vidas diariamente em todos os lugares, fica evidente que notícias também são fabricadas mesmo aquelas que sempre foram atos corriqueiros acabam ganhando contornos drásticos se manipulados e explorados para criar saias justas.
Aquela brincadeira de garotos de chamar o amigo de 4 olho, de balofo, neguinho, ainda que só brincadeira mesmo e de amigos, não há mais espaço pra ela. Não temos mais espaço para brincar com as palavras para ser engraçado. Hoje tudo traumatiza, é bulling ou preconceito. O cuidado com as palavras e gestos tem que ser redobrado; qualquer brincadeira, máscara de macaco, ou qualquer palavra fora do politicamente correto pode gerar um processo na justiça ou no mínimo um dedo acusador nas redes sociais.
Ser politicamente correto é bacana, mas viver na neura por conta do patrulhamento é horrível!
Diriam alguns que o vigor físico sustenta o corpo, atrai para si conquistas, e que a qualidade da robustez aliada ao frescor da idade são combustíveis imprescindíveis às pessoas.
Alguns contestariam veementemente porque nem só de vigor físico se chega ao topo, vide o caso das top models que são tão frágeis e dominam no ponto mais alto. A grande diva sempre foi e sempre será a beleza, indubitavelmente, em todos os casos, sempre.
É quase impossível admirar uma outra pessoa sem lhe perceber as qualidades físicas.
A primeira chamada das pessoas está na aparência; na maneira com que se vestem, na sua estrutura física, nas curvas; se for mulher, na rigidez da suas carnes, na forma escultural, no brilho da pele dos cabelos , na perfeição do rosto, no seios, nádegas e pernas bem torneadas. Pouco se dará importância ao que faltar à essa bela receita.
Aos homens com algumas diferenças também se busca na aparência o primeiro e grande impacto, e por saberem desse motivo usam eles agora, os mesmos meios e atrativos femininos para chegarem mais próximo ao que pedem os olhos femininos e até masculinos, por que não?
E a crueldade dos tempos não se estreita só na faixa da beleza e aparência, até porque ela tem um custo que só pode ser acompanhado por uma boa dose de capacidade de consumo, o que é quase tão raro como nascer e sobreviver com tais qualidades sem que se precise nela investir uma soma considerável.
Padrão eis o que diferencia e separa o aparentável do economicamente perfeito.
Diriam as más línguas, que olhar por essa ótica é quase que punir com separatismo os que não estão na lista dos bem nascidos e dos bem vividos ou condenar ao "in aeternum lat" a fatia que não preenche os requisitos que se confere à primeira vista. Entretanto é assim que se processa na cabeça da grande e imensa maioria de pessoas nos dias em que a comunicação é a vedete maior.
Embora seja essa a corrente que carrega a massa, me prendo a um "mísero detalhe " que parece só um adendo do conjunto acima citado, pelos desprovidos dele. Não dispenso em circunstância alguma, tal como sei ser imponderável e impensável para alguns, conceber um mortal sem ele: inteligência. Que seja uma inteligência mordaz, criativa, elegante, sagaz, intelectual ou uma mediana inteligência carente de estímulo cultural, ainda assim inteligência latente, mas que seja parte integrante das características de cada pessoa, da mais simples a mais abastada.
É inconfundível o traço de quem apresenta tal "detalhe", que em determinadas condições dispensa sem prejuízo qualidades ou status outros, pela agradável convivência, fertilidade de idéias e troca imprescindível.
Não se adquire tal "detalhe" com status, dinheiro, poder, cirurgia e não se carece dele para estar na moda, mas com ele se garante companhia agradável, com ele se adentra ao mundo refinado das salas seletas, dos recantos privilegiados, das falas e das atenções. Aos detentores de tão expressivo "detalhe" não se confere beleza como prêmio, nem uma cadeira cativa de mestre e nem sempre a primeira fileira nas disputas, mas se garante a certeza da compreensão do mundo ao seu redor, e muitas vezes lhe é impingido um sofrimentos atroz.
A bem da verdade alguns não fazem um bom uso dos seus talentos e por escolha própria se tornam odiados pelo que mais o destacam em um grupo, uma categoria ou uma nação, enquanto outros mal tem oportunidade de demonstrar sua capacidade de amadurecer idéias, teorias, ganhar conhecimento intelectual pela falta de chances. Tantos talentos sucumbem na ignorância sem nunca saberem do seu potencial ou sem sequer terem ouvido falar em quociente de inteligência.
Assim, da mesma maneira que não há como não prestar atenção no visual e por ele ser atraído, não há como deixar de admirar quem traz no perfil a inteligência visivelmente bem aproveitado na conduta, na companhia e nos círculos familiares e sociais.
Que seja pois, para o deleite de cada um, o que mais lhe aprouver.
Comemorar um dia não nos livrará por certo do abuso dos outros 364 dias, não apagará e não extinguirá toda a violência cometida.
Mas vale para se lembrar, que não somos peças de enfeite, ou adereços para se exibir como prêmio, vale para concientizar que estamos no mundo prontas para tomar nosso lugar, e que temos real capacidade de conduzir nossas vidas e a de quem nos foi confiada.
Um dia para lembrar que nós carregamos em nosso ventre a vida que vai passear por esse chão, os grandes homens que vão comandar os destinos das nações, da mesma forma que estamos ao seu lado amparando, segurando suas crises ou aplaudindo suas vitórias.
Um dia para lembrar, que também parimos pulhas, egoístas e egocêntricos, que parimos os déspotas e os assassinos, que parimos e educamos os machistas que vão nos manietar, violentar e matar.
E será que temos conciência de quem somos realmente, ou só nesse dia prestamos atenção na porção que nos cabe?
Não queremos bajulação falsa, queremos nosso espaço no mundo, queremos ser tratadas não como frágeis criaturas, nem com a mesma dureza dos homens, queremos ser tratadas como mulheres competentes em cada espaço que ocupamos, tendo direito de sermos frágeis e dóceis, tanto quanto sermos inflexíveis e duras quando preciso. Não exijam que sejamos "machos" nas funções mais pesadas, somos só mulheres fortes.
Num mundo perdido e sem direção, onde nos imputam tantos afazeres e nos cobram tanta dedicação, o que será que nos dão em troca?
De nós esperam que sejamos super mulher em todas as funções, que sejamos lindas e eficientes, mães amorosas e presentes, esposas equiparadas às Giseles Büchem da vida, sem uma celulite e sem uma gordurinha, ao mesmo tempo que executivas possamos ser exímias donas de casa e a glamurosa modelo das revistas. E o que nós dão em troca? Um super homem? Não, não existem super-homens, mas eles nos querem super mulheres.
O maior pecado que se comete contra a mulher é não olhar para o seu intelecto, é não valorizar o seu potencial como pessoa, mas exigir que ela seja perfeita em suas formas, que jamais envelheça.
Não somos só corpo, somos coração, alma, sentimentos, emoções e inteligência.
Queremos trabalho digno, salários compatíveis e justos.
Queremos ser vistas como mulheres simplesmente, por dentro e por fora,
com qualidades e defeitos. Queremos a liberdade de pensar e falar. Queremos ser respeitadas e amadas.
Todos os dias somos mulheres, mães, filhas, amantes , senhoras e meninas e somos violentadas explícita e veladamente todos os dias, em todos os lugares.
Lembrem-se que pensamos e sentimos, não somos troféus.
Somos pessoas e geramos pessoas; assim queremos ser e estar entre pessoas. Queremos amores e companheiros, não senhores.
Eu quero voar
O denso da matéria me amordaça o espírito, e ainda que meu espírito fale mais alto não consegue vencer a couraça pesada que o reveste.
Uma batalha travada no dia a dia me faz oscilar entre as escolhas mundanas e o chamado melodioso do espírito.
Se de um lado o espírito me dá uma visão infinita do mundo, me promete a imortalidade da alma e a beleza só concedida aos desprendidos da matéria; o mundo táctil me faz provar o gozo imediato das relações, me faz sentir o prazer fácil das conquistas, bem como a satisfação beligerante do consumo. O mundo da matéria tem efeito passageiro, sabiamente conhecido, mas nunca é drasticamente rejeitado diante do prazer egoísta.
Por mais que eu saiba, e por mais que eu reconheça a efemeridade da matéria me vejo às voltas com a indecisão de trocar a graça, a leveza do corpo sutil pela grosseira e arrastada roupagem carnal.
Nessa luta titânica diária os anos correm sorrateiramente, tanto que quando olho meu par de olhos no espelho, percebo que seu brilho embaça juntamente com a carcaça cansada que se arrasta indefesa frente a ação irredutível do tempo.
Engana-se o insensato que ajunta riquezas tolas sem semear no seara do seu coração amor puro, incondicional, pois que a semeadura não é obrigatória, mas a colheita sim. O que sobrará sobre a terra senão carne tola para o banquete macabro?
Olho para o céu, caminho sobre a terra e meu espírito volita acima da terra batida, sempre na esperança de conquistar de vez meu mortal coração.
Nada mais me separa do ontem do que eu mesma, e nada, nada mesmo me separa do meu amanhã, senão eu mesma; em carne e osso.
Ouço acordes melodiosos como brisas roçando minha pele cansada, meus pés ainda se arrastam querendo voar.
Quem disse que é preciso coleiras, para se estabelecer alianças? Quem foi que inventou as grades? Onde está escrito que papel assinado garante vínculos?
Frágeis são as instituições que tentam cercar o que nasceu para ser livre.
As regras estão dentro de nós, os estatutos mais respeitados, são os que nós estabelecemos e grafamos com nossa lealdade.
Não existem leis que regulem os corações, não existem algemas que aprisionem a nossa alma, nascemos para ser livres.
As mordaças incitam a corrupção, atiçam à rebeldia, quando tudo que se quer é provar o gosto do proibido, sentir o prazer que é vetado.
Não somos donos de ninguém e não temos direito de cercear a liberdade de quem escolhemos para nos acompanhar, o que não permanece conosco; não nos pertence, aliás não existem propriedades quando falamos de pessoas, mesmo nossos filhos não são nossos, são de si próprios e do mundo.
Por um tempo, que nem a nós é dado conhecer, dividimos nossa presença com quem escolhemos, por afinidade, afeto, amor ou paixão, pode ser pela vida toda, pode ser por um tempo longo ou por um espaço breve, mas em nenhum desses casos estaremos algemados uns aos outros...ou não deveremos estar, em um relacionamento saudável.
Estabelecemos regras, que não estão em papéis, não carecem de ser vigiadas. Confiança e liberdade deveriam andar de mãos dadas, regidas pelo bom senso, porque o amor só aumenta quando regado por confiança, afeto e lealdade, não quando privado da liberdade.
Paredes e grades não prendem pensamentos, não aprisionam o sentir. O vôo pelo mundo das sensações nos fazem inteiros, complementam a bagagem da nossa alma, assim como a leitura é aprendizado para o nosso intelecto. Não há crescimento nem amadurecimento senão pelo conhecimento, pela experiência.
Temos cada um, nossas próprias regras, nosso próprio limite, e cabe a cada um de nós descobri-lo, explorá-lo para fazer uso da forma mais qualitativa.
Nada e ninguém pode limitar nossa experiência, a cada um de nós compete saber até onde ir e como ir; o caminhar pelo mundo das descobertas exige de nós apenas discernimento; o que se aprende se dando o direito de experimentar, apenas respeitando os espaços, nossos e de outrem.
O viver nada mais é que um aprendizado diário, e transformar esse aprendizado em sabedoria, é o que faz a diferença.