segunda-feira, 22 de março de 2010

A essência de cada um pode mudar?

As vezes me pego pensando se não seria melhor ter nascido longe dos livros e sem essa enorme curiosidade que me move. Quanto mais eu enfio a cara nos livros, mais e mais as dúvidas me assaltam. Quanto mais eu me pergunto, quanto mais eu reflito, mais eu me deparo com perguntas e mais perguntas que não sei as respostas.
É angustiante querer entender e não saber por onde caminhar para descobrir. Aceito, na maioria das vezes, a minha própria definição ou as minhas deduções. Não que não existam respostas, claro que elas devem estar por aí, certamente muita gente já se perguntou, estudou, definiu e ficou satisfeito com suas buscas, eu porém, vivo às voltas com dúvidas imensas, querendo compreender os mecanismos humanos. A observação me ajuda muito, mas não responde a questões que em dados momentos me parecem cruciais e até existenciais.
Se olho para o lado espiritual e até pragmático eu creio que somos todos constituídos por vários corpos vestindo um espírito que é imortal. Bem, se somos espíritos imortais vestindo ao longo dos anos e séculos corpos carnais isso quer dizer que a nossa essência é sempre a mesma, e o que nos diferencia no mundo e nas inúmeras vidas é a círculo em que nascemos, as condições financeiras, sociais, o país, o sexo etc. Enfim respondemos aos estímulos do meio em que vivemos.
Nos é ensinado nas religiões ou doutrinas que creêm no reencarnacionismo que a medida que encarnamos vamos queimando karmas e com isso polindo nossos espíritos, por outro lado outras doutrinas crendo em uma única vida também pregam o desenvolvimento espiritual , a melhora individual de cada ser humano para a eternidade, e aqui a crença também é na eternidade do espírito, ainda que com uma única vida.
Posto isso eu me pergunto: Se a essência é a mesma, se o espírito tem ali em seus registros uma natureza própria e única; como pode ele evoluir sem se perder da sua essência?
É claro que eu acredito, ou quero acreditar no progresso do espírito, mas fico ainda com a impressão de que não se pode mudar totalmente a natureza intrínseca porque esse é o molde no qual ele foi constituído.
Um espírito que traz na sua essência qualidades não vai perdê-las ao longo das sucessivas encarnações porque elas são inerentes ao seu espírito que é imortal. E um espírito que tem desvios de conduta, má formação de caráter será que evolui a ponto de não vacilar nunca mais ou não cair na tentação de fazer uso destes desvios?
Bem, para complicar um pouco mais vamos pensar no seguinte, nos seres humanos encarnados a essência seria o id de cada um, o inconsciente, a parte da psiquê que não temos acesso por livre e espontânea vontade, mas que está lá guardado dentro de nós. O ego é outra partição da psiquê onde estão os pensamentos, comportamentos, a forma e imagem que nás passamos ao mundo de forma consciente . Enquanto o superego é o nosso eu ideal, é aquele policiado por nós, onde só mostramos o que é políticamente aceito e correto.
Visto isso eu imagino então que o id é a nossa mais pura essência já que ela não depende da nossa vontade e está lá no inconsciente; então ela seria a essência pura do espírito com qualidades e defeitos. Agora, se o nosso ego é a a parte consciente, a que mostramos ao mundo, certamente ela terá a influência do id porque ele é a essência do sujeito, encarnado ou não, ainda que ele sofra a influência do meio e o seu espírito esteja sob o efeito do esquecimento de si próprio para a encarnação presente.
E olhando para esse ponto, sem atentar para o lado evolutivo pregado nas doutrinas, ou seja, uma visão puramente racional, eu não posso imaginar um ser humano que traga na sua bagagem espiritual defeitos e qualidades não permitir que elas aflorem, porque certamente elas vão influenciar o seu ego em algum momento.
Estaremos irremediavelmente condenados a não nos livrar da nossa essência se ela nos for perniciosa? Sim, porque a todo momento ela vai aparecer de alguma forma e influenciar comportamentos e ações?
Vamos pensar num espírito que tem hoje por volta de mil anos ( supondo apenas), ele que tem a sua essência imutável ao longo de muitas existências, esteja vivendo encarnado nos dias de hoje, pergunto:
Será que ele é melhor hoje do que era quando foi concebido como espírito?
Não contando com benécias que as doutrinas pregam, olhando pura e simplesmente para uma sucessão de experiências carnais. Teria esse espírito (encarnado nesse momento) evoluído só através das experiências, de erros e acertos, pura e simplesmente?
Não traria esse espírito ranços de sua essência apontando em alguns momentos dessa encarnação, já na 14ª ( mais ou menos) existência carnal, em mil anos de vivências tantas?
Seria o seu ego um manipulador eficaz a ponto de esconder uma essência que não conseguiu se polir ao longo de mil anos de seguidas ingressões carnais?
Se nós não podemos mudar a nossa essência, como então pensar que atingiremos um ponto mais alto pregado em tantas doutrinas? Ou para atingir a nossa melhor condição espiritual visualizando um mundo de seres perfeitos?
Eu entendo como essência o espírito conforme concebido originalmente; com qualidades e defeitos.
É ponto pacífico pra mim, que somos energias imortais, dando-se à ela o nome que for, espírito, alma ou o que for. E pensando assim, não consigo ver saída para esse embate; se concebido sem perfeição, pois assim o sabemos, como querer consertar em uma existência o que é inerente em cada uma dessas energias: a sua essência!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Teoria do Pensamento Caótico

A Terra se movimenta constantemente e nem por isso chega a incomodar, já que não percebemos como é estar à bordo dessa enorme embarcação que navega pelo espaço, mas eis que ela agora anda tremendo tanto que anda deixando aflitos os seus passageiros.
Não sei se chegamos a meia idade de Gaia ou à velhice, pois ela anda tendo ondas de calor ( fogachos??) e ondas de muito frio, neve e chuvas torrenciais que mais se parecem com um período pré-diluviano. Será que a Terra está zangada?
Abaixo e acima de nós existem mistérios que por mais que a ciência estude, não pode explicar porque não alcança. Não é dado a nós que somos um nada diante da infinitude em que vivemos conhecer todos os mistérios do universo.
Tenho cá comigo que o magma que se movimenta dentro da Terra, essa massa quente que dá consistência ao nosso planeta, anda mais agitado que o normal e arrisco a dizer que mais quente também. Vou chamar essa teoria minha de "Teoria do Pensamento Caótico"; é óbvio o título não?
Com o magma se movimentando mais enérgicamente, fica mais aquecido e consequentemente libera mais energia o que faz com que as águas dos oceanos fiquem mais aquecidas e produz o movimento mais constante das placas tectônicas. Essa energia nas falhas das placas onde estão pipocando terremotos constantes também estão em conjunção com os fenômenos acima de nós; como o ciclo solar que tem tido ejeções gigantescas de plasma.
Seguindo essa linha de pensamento; já prevejo uma temporada de vulcões acordando por conta da energia espetacular desse magma.
Além das minhas deduções e dos flares do Sol, se fala por aí que a o nosso sistema solar está atravessando um cinturão de fótons que circula a estrela Alcyone, e que isso pode e vai ocasionar mudanças no nosso planeta.
Isso sem contar com outras inúmeras "teorias" que são despejadas na net todos os dias, algumas querendo ter teor científico e outros, teor religioso e profético.
Como então não ler toda essa gama de informações e criar a nossa própria teoria?
Mesmo sendo apaixonada por astronomia eu nunca aprendi tanto sobre a Terra, o Sol e seus fenômenos como tenho aprendido nos últimos anos, porque tenho me sentido compelida a estudar, pesquisar e ler para não pirar.
Estou dentro dessa nave chamada Terra e tudo que acontecer à ela, certamente me atingirá, seja para melhor ou para pior; por isso me dou o direito de viajar nas minhas teorias, porque afinal de contas sou mais uma pessoa perdida dentro desse tiroteio de informações que bem caracteriza essa era da globalização.
Pode ser tudo uma grande viagem, mas pode ser tudo a mais pura verdade, quanto a nós pobres mortais só saberemos quando o bicho estiver pegando; ninguém vai dar alerta como os alertas de tsunamis, e ninguém vai ver nos telejornais nenhum anúncio de tragédia, seja pela aproximação do Planeta X, seja pra se segurarem porque a Terra está mudando sua órbita ou coisa que o valha.
Uma coisa é certa: Apertem os cintos porque o piloto enlouqueceu!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ditadura? Censura na Internet?


Tem sido enfático os artigos que recebo falando da volta da ditadura, e eu não consigo achar lógica nisso, pq eu não acho que possa voltar um regime desses depois da experiência que o Brasil tem com a democracia, ainda que meio capenga, até pq já foi demonstrado das mais diversas formas que isso não tem futuro e em todas as nações que tentaram sobreviver com esse regime. Não somos uma republiqueta de bananas ora bolas!
Eu ouço o Olavo dizer que a massa intelectual desse pais está falida e inexoravelmente sem perspectiva e que o Brasil está a um passo de se desmanchar, mas não acho de maneira nenhuma que isso nos faça regredir a ponto de se deixar implantar aqui uma nova ditadura.
É dificil compreender que depois de ter experimentado a liberdade de pensar e agir as pessoas voltem a aceitar a mordaça, nunca mais!
Por outro lado cresce na net também o rumor de censura na internet, também não creio na censura, até prova em contrário, senão vejamos:
A internet surgiu e cresceu de forma tão rápida que hoje tudo se concentra nela e aqui o jorro de informações ligou praticamente todas as pessoas, continentes, países; porém a internet como sabemos é terrs de ninguém e sem lei, não há regras reais para o que acontece aqui nela, como a punição que aos poucos começa se esboçar. É claro que pra tudo que existe no mundo deve haver regras e net não é diferente.
O que eu consigo compreender é que se está se formando alguma "censura" não é para se tornar uma ditadura ou seja lá o que for, é para evitar que o caos se propague por essa mídia que é a mais popular de todas e a mais livre até então. Pode haver erros? Exageros? Pode. Tudo na vida tem seu ponto de equilíbrio e para que todas as pessoas possam desfrutar dessa maravilhosa ferramenta é que se estão estabelecendo regras. Citando Olavo de novo; quem inventa uma coisa não é mesma pessoa que vai aperfeiçoar, portanto ao ser inventado todo invento tem falhas e erros, assim também pode ocorrer com as regras, como aconteceu e acontece sempre com a internet. Não se descobre todos os dias uma maneira de burlar os AVs? Os firewall?
Qualquer pessoa em qualquer lugar, de qualquer idade pode acessar as informações aqui contidas, sejam nos portais, sejam nos grupos, salas de bate-papo ( ninguém mostra RG!) e como por aqui rodam notícias importantes e outras tantas perigosas e outras também mentirosas, é normal que se pense em proteger as pessoas do acesso à elas.
Vejam, não estou concordando nem discordando, o que eu entendo é que tem muita gente, ou melhor, a maioria das pessoas que tem acesso a informações com as quais não sabe lidar, faz bobagem. A internet pode realmente deixar de ser essa terra de ninguém pq nós enquanto seres humanos não aprendemos a lidar com a nossa liberdade e muitos por pura ignorância ou maldade acabam criando e espalhando notícias inverídicas ou prejudicando muita gente.
É preciso enxergar sempre os dois lados para não se atirar pedras antes de se entender o pq das coisas acontecerem.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Big bang

De repente começo a me sentir atemporal, como se não importasse mais o antes nem o depois e o agora só existisse porque posso sentí-lo; é uma sensação estranha como se eu não tivesse mais uma identidade; sou mais uma na multidão, um rosto anônimo que não tem marcas e não escolhe mais nada, represento uma raça e é só.
Não é muito, aliás isso não é absolutamente nem um pouco interessante, não tenho poder, não tenho um nome conhecido por alguma habilidade específica que possa contribuir para o bem comum, nem sou detentora de nada nem tenho meios para mudar nada ao redor de mim.
Paro e penso que nem da minha vida tenho as rédeas pois ela corre ao sabor das possibilidades que não estão nas minhas mãos e quase tudo me foge inexoravelmente, ficando eu somente comigo mesmo e minha indefectível consciência. Felizmente ela não me acusa de inércia, ao contrário, ela sempre me aponta direções, mas que nem sempre posso comandar, e eu luto para me manter na superfície, não na superficialidade.
Onde foram parar os sonhos, os ideais? Será que ainda os tenho escondidos sob as dobras dos dias? Ou os matei com a minha identidade que agora é um mero número de CPF?
Não quero só seguir a multidão, me recuso a ser uma réplica humanóide sem rebeldia.
Quero de volta os meus dias azuis, meus sonhos, minha capacidade de voltar a sonhar.
Quero acordar em outro dia, em outra página da história e voltar a ser um personagem com rosto, passado e futuro.
Cadê os meus pares, meus amores? Cadê os meus pecados?
Estou sem chão e sem tempo, acampada em algum lugar que nem sei mais qual é, sem portas de entrada e sem conhecer as da saída.
Que sentimento me envolve agora? Não importa...daqui a pouco nada mais fará sentido, não haverão mais quadros nas paredes, nem telas frias com entrada para outras casas. Nem meu CPF me identificará...
Quiçá haja alguém para contar o que sobrou do meu big bang.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Usinas

A partir do momento em que um radar descobre em si um canal de comunicação com a sociedade por sua qualidade artística, esse radar passa a se sentir menos estressado, menos frustrado, consequentemente mais equilibrado emocionalmente. Não é preciso necessariamente que esse radar experimente a fama, ele precisa simplesmente descobrir em si o canal da sua habilidade para fazer escoar sua comporta de emoções e sentimentos represados, traduzindo sua comunicação sob a forma artística, ou produzindo sua arte como uma forma de refletir nela o que lhe transborda, ainda que seja unicamente para o seu prazer.
Além da capacidade artística o radar tem a habilidade para com profissões específicas como psiquiatria, filosofia, causas humanitárias em geral e outras.
No mesmo compasso o não radar precisa transbordar, entretanto no caso do não radar ele só precisa de uma válvula de escape que esgote a energia física acumulada na sua usina pessoal, e a energia psíquica acumulada na sua tela mental, já que o não radar faz parte daquela parcela mais ligada às coisas da matéria.
A energia psíquica acumulada na tela mental do não radar advém do seu contato com outras pessoas não radares e com as radares, ou “captadoras”.
O radar tem sua tela mental mais afinada com energias sutis, que são energias ligadas às emoções e sentimentos, daí a necessidade do captador ou radar se comunicar passando esse mesmo tipo de energia.
O acúmulo de energias dentro de uma pessoa tem a mesma força que águas represadas em diques, elas geram força. A força deve ser direcionada para a criação, para o esforço físico ou mental. Quando todo esse potencial energético fica contido sem uso ou explode em violência, em patologia psíquica ou é somatizada em doenças físicas.
Todo tipo de energia acumulada no corpo humano deve ser escoada por canais apropriados, incorrendo esse acúmulo em desarmonia física ou emocional. Nosso corpo funciona como uma máquina e como toda máquina precisa estar equilibrada para funcionar perfeitamente. Vejamos: uma máquina qualquer que pode ser um aparelho eletroeletrônico, se sobrecarregado de energia queima, o corpo humano não queima como um aparelho, mas funciona mal, sente dores, adoece.




Bom Dia (da série Bom Dia)
Angélica T. Almstadter


Quero silêncio para mergulhar dentro de mim, e ouvir os meus sons, quero ouvir o badalar dos sininhos que tocam e tocam anunciando que a paz que eu persigo não mora longe daqui.
Não sei se as portas me incomodam por que estão fechadas, ou se me perturba não atravessá-las. Vou me permitir ir pra rua beber a luz do sol e os barulhos do feriado. Quiçá entre tantos rostos e sorrisos eu perceba que a vida é tão mais intensa do que parece. Que esse sopro que ela me mostra; seja só um brinde; para que eu aceite muito além dessa taça requintada.
Vou pra rua, vou ver gente...preciso ouvir vozes e ver crianças de verdade.
Ver namorados, homens, senhoras, velhos, gente que sai à rua pra viver e respirar como eu preciso fazer.
Não ligo mais para essa tristeza que me persegue, ela parece uma segunda pele, que em muitos dias me faz nua, só para desfilar meus pecados, meus sonhos abjetos, é ela responsável pela cumplicidade que me faz mansa mesmo quando a veia ferve ou o ódio me atiça as entranhas.Ah, não estranhe meu ódio assim brutalmente revelado, ele também percorre algumas linhas mestras, nos intervalos do meu amor escandalosamente rabiscado.
Eu não poderia ser uma balança fiel se não transgredisse os mandamentos. A docilidade das minhas palavras também prova o amargo da fúria, e é assim que rompo as portas e avanço para a multidão, vou em busca do silêncio de dentro de mim, que está na rua, no meio dos transeuntes, pra remoer as minhas palavras, açoitar meus sentimentos, remexer as minhas emoções, conversar com meus pensamentos sem interrupções. Não quero dividir esse estorno de sensibilidade que baila na minha pele.
Vou rascunhar na minha memória as minhas vontades, revirar e revisar os meus conceitos, quando colocar as emoções no lugar eu volto e passo a limpo toda a minha ansiedade.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Captando o mundo ao redor

Fica dentro de mim um certo desalento por observar que está morrendo o romantismo, eu que sou uma romântica incorrigível e que tento colocar dentro das minhas poesias e prosas todo um mundo de sonhos e ilusões. Eu ainda gosto de sonhar e cuido do meu coração como se ele ainda fosse um adolescente pronto para se apaixonar indefinidamente, solto o pensamento buscando algures um motivo nobre para ter esperança.
Desde que aprendi a me pensar e me descobrir como pessoa repleta de sentimentos e emoções passei a observação de tudo que se passa ao meu redor, chegando muitas vezes a remoer anos alguma coisa até lhe descobrir o significado. Não tenho e nunca tive o hábito de perguntar como o outro percebe as coisas que o cercam, sempre me limitei a observar atentamente e descobrir através de uma sondagem sutil, seja pelos gestos, pelas expressões ou comportamentos. Não é uma pessoa especificamente que me interessa e sim seu comportamento, seus maneirismos e costumes, além é claro de todo um complexo de informações pela mídia, experiências pessoais, conversas e literatura.
Ao longo da minha vida tenho ainda dividido momentos cruciais, tristes e alegres com familiares e amigos que vão somando informações importantes, mesmo quando não estou pensando nos aprendizados desses momentos eles vão sendo armazenados e quando encontram situações semelhantes mostram-se e registram as impressões principais. Com mais de meio século de existência e experiências emocionais variadas é possível ter uma amostragem grande de comportamentos, reações e as correlações que elas têm com sentimentos e emoções. Como também é possível ter as explicações para esses acontecimentos por vários ângulos, além de saber qual o comportamento realmente é mais usual e o mais adequado para cada situação.


Bom Dia ( da série Bom dia)
Angélica T. Almstadter


De todas as coisas válidas, o que se conta são as experiências, o que fica retido na memória e essa é a nossa essência e o combustível que nos move no dia a dia. O que trazemos guardado na memória e no subconsciente são tesouros que ninguém pode roubar, e ainda que possamos dividir com um número cada dia maior de pessoas; nunca diminui, nunca se acaba e a medida que fazemos uso movimentam a engrenagem toda da nossa vida, nos mantendo vivos e ativos.
Somos a maior complexidade da natureza, pois que além de uma máquina completa que tem funcionamento perfeitamente preparado para enfrentar desafios cada vez maiores e mais elaborados, temos corpos outros que nos dão dimensões diferenciadas; temos alma, espírito e aura que complementam essa diversidade nossa e que nos distingue de toda a criação divina.
Embora a complexidade humana de cada um de nós tenha a mesma base, somos seres diferenciados não só geneticamente, somos, cada um de nós, uma essência única e imutável.
Tão grande e inexplicável é o mistério que envolve cada um de nós que é impossível tentar compreender ou traduzir em palavras o que é a composição de um ser humano em todas as suas dimensões. Não falo de ciência ou de religião ou de mistérios sensoriais, nem da física, nem da parapsicologia ou psicologia, nenhuma ciência por mais completa que seja explicaria com certeza a funcionalidade de cada um num todo, e o por quê da nossa existência.
Está acima do homem e da sua notável capacidade de compreensão os mistérios que justificam a sua composição tanto física como espiritual, e é ai é que mora o grande barato da vida, descobrir a cada dia do que somos capazes, até onde vai os nossos limites, físicos, intelectuais e emocionais.
Em tudo que observamos ao nosso redor, encontramos explicações ou procuramos sempre encontrar, faz parte da natureza humana a observação e tentar encontrar respostas, o homem é um eterno descobridor, é um ser investigativo, e que por ser assim um ser dotado de inteligência está sempre analisando cada vez mais fundo tudo que lhe cerca.
Entretanto como se diz que há mais mistérios entre o céu e terra do que sonha nossa vã filosofia (Shakespeare), prefiro caminhar não pela razão, mas pelo coração, já que o meu coração é o mensageiro da minh'alma e em conjunto definem minha essência única e dela faz a minha vida ser para mim mesma um mistério novo a cada dia, e me põe em campo a pesquisar as minhas razões.
Sou de mim mesma um exploradora incansável, e enquanto a vida me apresentar novas promessas serei sim a cobaia e descobridora dos meus próprios limites e mistérios, levando em conta que abaixo do meu Mestre só eu posso me explicar, se conseguir; e só eu mesma posso me sentir, e isso eu considero um presente divino.






Para muitas pessoas o poeta ou artista de um modo geral, são seres alienados e eu digo que muito pelo contrário, essas pessoas têm as antenas mais sensíveis que as outras pessoas e por isso mesmo é que captam coisas, sentimentos que passam pelos outros sem que eles lhes dêem atenção.
O lado oculto de ser poeta é que tudo nele é visto com lentes de aumento, cada detalhe, cada palavra de um diálogo, cada suspiro e cada expressão por menor que seja, e quando cada situação é vivida pelo poeta, ninguém pode imaginar a ebulição que se dá dentro do seu ser, pode ser essa situação de alegria ou tristeza.
O ver por uma lente de aumento não quer dizer aumentar a proporção, mas sim ver e sentir sutilezas que não se vê sem estar com a alma aberta para o mundo como a do poeta ou do artista está.
Não menosprezando a visão ou o sentimento dos não artistas, mas usando de uma franqueza absoluta: Os artistas de um modo geral são pessoas especiais, pois têm a missão de imprimir na sua arte o sentimento e a emoção para o conhecimento e alegria das pessoas. O artista se comunica com as pessoas através do sentimento, da emoção, porque esta é a verdadeira face do ser humano, a que não pode se trair nunca.
Por mais que tente colocar em palavras uma emoção vivida o poeta nunca o consegue totalmente; dentro de nós a coisa se processa de tal forma que palavras ficam poucas para expressarem nossos sentimentos nossa emoção, de forma a colocar para as pessoas sentirem senão igual, ao menos próximo, do que sentimos quando nos expressamos em palavras, da mesma forma é para um pintor, um escultor ou outro ramo da arte.
Parece-nos sempre que olhamos para a nossa criação que está incompleta, daí o hábito de alguns sempre retocarem, é uma maneira de tentar tornar a nossa arte além de mais bela, mais fiel ao nosso sentimento.
Ao olhar para o mundo e para as pessoas nós poetas temos uma visão muito crítica e muito sofrida, porque por termos a alma aberta para captar emoções e sentimentos, fica impossível não traduzir nosso sentir na nossa arte, já que ela é o nosso reflexo imediato, assim se nos deparamos com coisas boas ficamos exultantes e nossa arte reflete nosso estado de alma, se vivemos momentos de intensa alegria nossa arte explode em cores, e se ao contrário nosso canal capta as dores e mazelas, certamente nossa criação se arrastará dolorida, e talvez dê mais frutos ainda, porque além da tristeza e da dor ficamos com a alma tão compungida que ela nos exortará a criar mais e mais como a buscar em cada criação a maneira mais próxima de expressar a realidade do sentimento ou para sangrar até esvaziar a sensação que tomou conta de nossa alma.
A poesia não se extingue dentro do poeta, porque o que move as palavras do poeta são os sentimentos e emoções por ele experimentados e a sua necessidade de esvaziar a sua alma nas palavras, que compostas à sua maneira própria expressam um momento único onde o seu eu conversa com a sua alma e em harmonia traduz nas letras toda a emoção. Após cada criação o poeta fica em êxtase, seu “filho” está ali bem diante dos seus olhos
e ele tem para com esse “filho” tanto amor quanto se tem por um concebido da carne, esse é o filho da emoção.
Cada criação tem para o criador a lembrança de um momento especial por ele vivido, pode-se até esquecer o motivo que o levou a criar, mas nunca esquecer o sentimento e a emoção no momento da concepção, o poeta tem a memória sensorial permanente.


Bom Dia (da série Bom Dia)
Angélica T. Almstadter


Quando dou vida às palavras, deixo que adentrem os meus sonhos e explorem os recantos da minh'alma, mas não dou espaços e desvãos imerecidos a quem não saiba ler e merecer adentrar meus mistérios, os segredos dos meus férteis sentimentos.
Na vida que desabrocha das minhas palavras quase sempre imprimo um pouco da minha essência, e quem há de senti-la se não me souber ler, ou passear nas minhas entrelinhas repletas de recados ou reclamos.
Quem há de decifrar meus desafios diários ou meus jorros, sem se despir dos preconceitos?
Não...não há de me entender plenamente quem não tiver a alma aberta aos vôos e o coração limpo das amarras e impurezas que prendem à carne, ao mundo das coisas tangíveis e das orgias, pois essas não entoam cânticos, nem sabem da leveza do espírito, nem da alvura da alma.
É inútil cantarolar para a insensibilidade das cervizes duras.
É inútil cantarolar para a luxúria. Não se reconhecem passos leves no chão onde só se ouve a cavalaria trotear.
Dou asas aos meus sonhos porque vão ao infinito e se misturam ao pó das estrelas, às chuvas siderais onde cada partícula tem sua importância, num espaço onde não haja donos e a imensidão os acolhe no silêncio.
Onde a vida só a eles pertencem, porque são livres, castos ou não sem que isso tenha a menor relevância.
Vida que te quero sempre viva nas minhas palavras, alegre, irreverente, audaz, provocante, simples, romântica, mas eternamente pura,
como nasce; sem travas e sem medo do reflexo verdadeiro que a faz de mim sua condutora plenamente sincera.







O mundo está cheio de artistas e poetas e a grande e esmagadora maioria não vive da sua arte, e está aí em muitas outras profissões ganhando o seu sustento e muitas vezes matando o seu poder de criação pela falta de tempo. A criação exige tempo, coisa que fica cada vez mais rara num mundo onde se precisa matar um leão por dia para sobreviver. Mesmo que esses poetas não possam de dedicar à sua arte ou dedique a ela um tempo pequeno, o seu “radar” está pelo mundo a captar os sentimentos e emoções do que gira ao seu redor. O que será que acontece com esse radar de emoções se não expressar de alguma forma? Como será que esse radar vai esvaziar-se se muitos não encontram uma forma de desfazer-se dessa coisa que se avoluma nele? E o que é pior, nem sabem que são antenas nesse mundo.
Todo ser humano tem dentro de si um potencial a ser desenvolvido e quando é descoberta a sua “veia” para uma determinada arte ou função, mesmo que ele faça uso desta de maneira regrada, isso faz com esse ser humano seja mais equilibrado. Por quê? Porque o atrito entre ele e a sua alma acaba sendo menor.


Não se pode imaginar que uma pessoa viva de forma equilibrada se ela não estiver contente com seu trabalho, vamos dizer que ela não tenha uma profissão que goste, não tenha uma situação financeira favorável e se ainda por cima não for feliz na vida amorosa. Se essa mesma pessoa, nas mesmas condições for um radar e tiver a chance de exteriorizar pelo menos parte do que capta, certamente ela conseguirá conviver com essa situação e terá forças para lutar e mudar esse quadro, ou pelo menos parte dele, sem que para isso ela tenha atos comprometedores na sociedade, como a delinqüência. Ao contrário, se não houver para esse radar um canal para escoar o que dentro dele se avoluma, o mais certo é que ele somatize para seu organismo, adoecendo. Algumas dessas pessoas que têm esse “radar” não conseguem conviver com essa coisa de captar sentimentos e emoções, alguns se perdem da razão e acabam por cometer crimes, outros ainda desenvolvem patologias psíquicas. Uma grande soma de pessoas não se conhece e não se conhecendo não tem idéia de suas habilidades e potencialidades, é onde então ela se perde do seu eu, vive por viver sem se questionar e estaciona sem enxergar nada além do seu mundinho físico.


Então se todo ser humano tem em si um potencial a ser desenvolvido e essa mesma pessoa, em iguais condições não for um radar provavelmente ela terá condições racionais de procurar uma profissão onde se realize e uma situação amorosa que combine com sua maneira de ser. Esse não radar está entre as pessoas que falei lá atrás que tem mais intimidade com as coisas da matéria.
Se partirmos do princípio de que há radares e não radares imaginamos que ambos têm visões diferenciadas do mundo e ambos têm uma maneira singular de viver. Agora, se esses dois biótipos não forem reconhecidos por si próprios como pode o mundo ao seu redor conhecê-los e diferenciá-los? Por que diferenciá-los?
Seria ideal se cada pessoa tivesse um encontro consigo própria para definir em que grupo está para se situar melhor no que a cerca e no mundo. Não que isso devesse dividir em clãs as pessoas, mas com isso integrá-las de forma a que interajam mais no seu meio contribuindo para que os seus semelhantes encontrem nelas o exemplo para buscar o equilíbrio e a forma mais humana de viver
Reafirmando, não se trata de dividir as classes, menos ainda de rotular, o que é preciso é que as pessoas aprendam a olharem para dentro de si e dessa forma identificarem o modo de vida próprio de sua natureza para assim descobrirem o que contribui para que elas produzam mais e melhor, tanto no âmbito familiar como social, tanto os radares como os não radares.
Diminuiria sobremaneira a violência e as patologias se os radares se aprendessem como tal e se dessem o prazer de escoar através da arte ou dos interesses pelas causas humanitárias toda essa bagagem que amontoam dentro de si.



Bom Dia ( da série Bom dia)
Angélica T. Almstadter

Tantos são os caminhos, tantas as porta, tão longas as distâncias.
Tão ligeira a imaginação e tão difícil os acessos.
Tantos são os atalhos, tão sutis as falas
e tão breves as circunstâncias.
Momentos, isso sim, são feitos de momentos os nossos melhores dias,
nossos mais fraternos encontros.
Deixam marcas visíveis,
deixam páginas inteiras escritas, deixam saudades gostosas,
saudades doídas.
Deixam uma lágrima que nunca seca.
Não se foge do caminho que está sob os pés,
Ainda que esmurremos portas erradas, a porta certa está levemente encostada
esperando ser aberta muitas vezes; à nossa frente...
e na hora certa, num passo iremos transpô-la.
Não sei se o futuro está gravado em algum livro,
não sei se os acontecimentos
do hoje determinam o amanhã. Sei que caminhamos inexoravelmente
para o amanhã...às cegas.
Sei do que está refletido na minha retina, do que é ansiado por mim, do
que busca meu interior, minh´alma. Sei bastante de mim, sei bastante do que quero, sei do mundo que vivo...
Sei do que preciso. Só não sei se existe...
Sigo minha intuição, minha inclinação, tateio e reconheço alguns traços...
Recolho alguns pedaços dos fatos dos lapsos e em algum ponto hei de
encontrar por inteiro o que me for verdadeiro.
Há um horizonte calmo e definido desenhado à minha frente,
sei que me convida, e com ele vou ter, hoje ou amanhã;
porque sei que me aceita, me tem como sua eleita,
e me embala os sonhos todos os dias em que me perco nas suas
linhas mansas e profundos rasgos.
Não sei se o alcanço enquanto a vida me pulsa,
mas sei que lá derramarei minha essência,
e lá moram minhas vontades...lá sossegam minhas vaidades.
Assenta-se tranqüila minha insanidade.
Lá onde minha inquietude não é questionada.
Lá e só lá me encontrará a vida.




Os artistas e os poetas não carecem necessariamente da paternidade carnal, já que a sua criação acaba por preencher esse espaço; pode parecer louco esse pensamento, entretanto é fácil compreender quando se tem dentro de si essa experimentação, essa visão. Não se exclui desses radares o prazer da paternidade carnal, evidentemente, nem se pode dizer que sua criação é igual a carnal, como também não se pode dizer que os radares não sintam a necessidade ou o desejo da paternidade carnal.
Ao passar um olhar rápido pela história da humanidade a gente comprova isso: Bethovem, Van Gogh, Fernando Pessoa, Mahatma Gandhi, entre outros, sendo que nesse último exemplo temos Gandhi que voltou o seu “radar” em função das questões humanitárias, uma outra forma de esvaziar-se e ao mesmo tempo satisfazer-se como pessoa. Há casos como o de Jean Jacques Rousseau que teve filhos, mas os entregou para instituições porque não se sentia capaz de ser pai com a qualidade necessária.
Os radares de emoções carecem da maioria do seu tempo para criarem, pensarem, refletirem para assim poderem traduzir em textos seus pensamentos, emoções e sentimentos. As pessoas radares que se dedicam as grandes causas humanitárias, são pessoas desprendidas que se preocupam mais com a humanidade com que realmente o que acontece em suas vidas.
A maternidade tanto quanto a paternidade exigem o dom de estar disponível, de se doar por completo, como exige um compromisso e a responsabilidade integral até o fim, evidente que não é preciso abrir mão da sua vida, mas é preciso estar presente sempre como pai ou mãe, a maternidade e a paternidade também é uma vocação.



Da mesma forma que o poeta (ou artista) parece viver alienado porque se interioriza para criar, vive um radar aquele que é um captador de emoções em potencial, mesmo que às vezes ele não saiba que tem esse potencial, são pessoas que gostam de ficar quietas, gostam de ter momentos de solidão para refletir, gostam de ler e toda forma que possa encontrar para estar a sós consigo mesmas. Normalmente as pessoas radares mesmo que extrovertidas são consideradas solitárias, fica claro na maneira que agem, falam e comportam.
Muitos atos estabanados que culminam em violência têm a ver com a invasão de privacidade dessas pessoas, que sem o saberem reagem assim como defesa porque há nessas pessoas um desequilíbrio entre sua alma e seu eu. Mas por quê? Porque essas pessoas não sabem como ou não tem um canal para escoar suas emoções e com isso reagem com explosões violentas ou doentias. Essa falta de conhecimento do lado captador faz com que muitos desses radares vivam em desarmonia consigo mesmas, com as famílias e com a sociedade. Isso talvez explique alguns comportamentos.
As pessoas de um modo geral precisam de uma válvula de escape, alguma coisa que as desligue da rotina e dê prazer, por isso é preciso escolher alguma coisa que relaxe ao invés de deixar tensa. É preciso escolher alguma coisa que acima de tudo dê prazer, que gere alegria e por sua vez libere serotonina. As pessoas que não têm válvula de escape enrijecem e vivem de mau humor.
O fato das pessoas não se conhecerem, mesmo com toda a evolução, é que torna a psicologia, psiquiatria e a psicanálise extremamente importante, embora essas práticas não estejam ao alcance da maioria das pessoas. É uma prática comum as empresas passarem seus candidatos pelo crivo desses profissionais a fim de adequarem aos cargos os perfis dos entrevistados.




Estatutos do Poeta
Angélica T. Almstadter

Ao poetas deveria ser dado somente o direito de sonhar, sem ter que se preocupar com responsabilidades, sem ter que se guiar pelos relógios dessa terra. Os poetas tem as estrelas e os astros como parâmetros.
Aos poetas não deveria ser dado nenhuma obrigação, não para fazê-los vagabundos, mas para deixá-los livres para o mundo.
Aos poetas não se deveria impor o sacrifício de ganhar o seu sustento, o poeta precisa menos do alimento para o corpo que o linimento para a su´alma.
Aos poetas, jamais deveriam ser solicitadas prestação de contas; hora marcada, noção de dia e mês, nem se é de tarde ou madrugada.
Os poetas são seres sem amarras, sem censuras e sem travas. Não sabem viver algemados, não suportam bater o ponto. Não são felizes com asas cortadas.
Os poetas deveriam ser perdoados dos seus esquecimentos dos seus devaneios fora de estação.
Os poetas deveriam ser poupados da razão. Deveriam ter o direito de interromper o que quer que fosse, para rabiscar um pensamento, rascunhar um poema, em qualquer lugar que estivesse, em qualquer hora que a inspiração chegasse, para jamais correrem o risco de se perderem de sua alma, nos momentos de vôos que só aos dois pertence.
O silêncio é o combustível do poeta e deveria ser respeitado, tanto quanto sua tristeza, que não poderia nunca ser investigada.
O poeta gosta da solidão, convive muito bem consigo mesmo, ainda que exploda em versos, prosas e muitas palavras soltas e em tantos pensamentos, até sem cabimentos. O poeta só precisa de um ouvinte, um leitor atento, de carinho, afagos e um, colo sossegado para vaguear os seus desvarios.
O poeta é um amável insensato, que dorme quando deveria estar acordado e tem insônia quando o mundo todo dorme sossegado.
Ao poeta, se deveria perdoar a loucura, a pouca compostura, o cabelo despenteado, o olhar esgazeado; pois a insanidade do poeta é eterna, além da saudade, pois sem saudade, o poeta não hiberna.
Os poetas são sonhos personificados e só por isso deveriam ser cortejados, respeitados e poupados das mágoas desse mundo, pois já tem as suas próprias. Poupados deveriam ser das dores, pois já sangram, sensivelmente pelas dores do ser amado.
Aos poetas, a anistia da razão a euforia da emoção e o beijo delicado.
Ah! Os poetas, esses gentis amantes com suas paixões intermitentes e eternos amores; são deliciosamente ousados e infinitamente atraentes.
Que se lavrem o estatuto, que se reconheçam esse tratado.
Que se abram as portas e que seus vôos beijem, o azul da imensidão sem regras, sem rótulos e sem grilhões; enquanto ainda vivem os poetas nesse mundo de ilusões.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

dos relacionamentos


A vida antes pacata e quase sem ambições foi substituída por uma vida corrida, competitiva e numa desenfreada busca de possuir cada vez mais. O ter passou a ser mais importante que o ser. A tecnologia contribui para que os comportamentos sofram influência direta, já que tudo gira em torno dela no nosso dia a dia, seja de trabalho ou lazer, e as pessoas que não conseguem participar dessa corrida de aquisição tecnológica se sentem marginalizadas, frustradas, e isso faz com que muitos, principalmente os mais jovens, enveredem pelo mundo do crime, roubando e matando, porque essa é a maneira que alguns encontraram para “ter” e assim não se sentirem tão diminuídos diante da sociedade que insiste em negar-lhes o direito de pertencer a uma sociedade justa e igualitária.
Entretanto não é só o jovem que se sente excluído quando não consome, é todo um contingente de pessoas que buscam incessantemente acompanhar em vão o volume e a velocidade cada vez mais frenética da indústria tecnológica, que vai imprimindo nas pessoas o desejo de consumir vorazmente.
Tudo ficou muito descartável, pela maneira veloz com que a tecnologia avança, e juntamente com os aparelhos, as pessoas estão ficando descartáveis; como o ser humano não é uma máquina que evolui tecnologicamente ele vai sendo superado por outro e outro sucessivamente como se isso pudesse explicar a enorme insatisfação humana.
Uma máquina produz prazer por tempo indefinido já que ela vai se modernizando, como no caso de um microcomputador, celulares, MP3 , MP8 e assim por diante e outros tantos, as novidades não param, e ao invés do envolvimento com um outro ser humano que não tem novidades todos os dias, as pessoas preferem o prazer frio da máquina.
Quando digo que as pessoas não proporcionam tanto prazer como as máquinas, digo-o pelo tipo de prazer procurado pelos adoradores de novidades tecnológicas.
Nesse mesmo ritmo surge a tecnologia que retarda o envelhecimento, ou tenta prolongar a juventude, porque ser velho hoje é feio! Imagine dizer isso num país, principalmente nos orientais, onde os mais velhos são tratados como relíquias pelos mais novos, eles que são considerados a verdadeira fonte da sabedoria.




Stand by

eu fazendo download
no meu coração
você em stand by
contempla
vê se acorda e zipa
meus documentos

fiz up date de você
liberei o firewall
e você continua
stand by
vê se acorda e executa
meus programas





É tanta novidade na indústria da beleza que é preciso muito fôlego e dinheiro para se poder acompanhar uma parte, já que o todo é impossível. As pessoas podem se modificar totalmente, remodelar o corpo, o rosto, aumentar e diminuir os volumes de seios, nádegas, barriga, pernas, etc. Podem ter cabelos curtos num dia e longos no seguinte. A coisa ficou tão requintada a ponto de se fazer tratamentos para a pele com ouro, diamantes, cristais.
A indústria da beleza antes só direcionada à mulher hoje tem no homem um alvo potencial também, já que ele hoje também disputa espaço nas clínicas salões e estéticas.
Estimulado por essa nova realidade temos um mercado de relacionamentos muito, mas muito mais exigente, onde a sensação presente tanto para homens como para mulheres é de se estar na vitrine constantemente e vivendo sob a pressão de ser rejeitado por não corresponder ao modelo que as mídias estereotiparam.
Essa vitrine também se pode verificar, não em menor escala, no mercado de trabalho, onde a aparência vale até mais que a capacidade e o conhecimento.
Ter rugas é over! Não ter a pele de pêssego é um pecado, celulite então, um horror.
Pensa-se pequeno quando se procura um relacionamento; e como as qualidades não estão estampadas na face e não despertam tesão é preciso procurar um motivo de tesão, e é claro que ele vem da aparência e se vier acompanhada de um estilo tecnologicamente correto, tanto melhor. O investimento pessoal hoje é muito alto daí as pessoas se valorizarem tanto a ponto de se tornarem exigentes demais na hora de se comprometerem com outra pessoa. Quando um casamento não dá certo e não há filhos envolvidos os filhos homens ou mulheres acabam voltando para a casa dos pais, que geralmente não desfizeram seu quarto, embora essa tendência seja muito maior entre os homens. As mulheres têm uma visão um pouco mais livre quando se trata de terminar um casamento, normalmente elas trabalham e se mantêm e preferem ter seu próprio espaço para recomeçarem sem a interferência dos pais. Os homens preferem estar por perto dos pais, onde se sentem protegidos e que de alguma forma não exige deles tanta responsabilidade em manter seu próprio espaço, por questões organizacionais. O homem gosta mais da dependência da mãe que as mulheres que são criadas mais em contato com a vida doméstica e para elas é mais fácil ter seu espaço que disputar o dela com a mãe.
A maioria esmagadora das mães gosta da volta do filho nessa circunstância é como se recuperasse o filho.
É sabido que o homem quando se casa procura na mulher um pouco da sua mãe, é uma relação meio incestuosa porque o homem quer uma mulher diferente da sua mãe e ao mesmo tempo que possua as qualidades que sua mãe tem, ou gostaria que tivesse.
Mas e a mulher o que procura quando se casa?
A mulher tem uma visão mais romântica, ela procura o príncipe encantado, o homem sem defeitos e que vá realizar seus sonhos.
Será que essa ainda é a visão que a maioria das mulheres tem do casamento? Um pouco, mas já tem mudado bastante porque a mulher tem procurado, especialmente nas camadas onde o nível de estudo é mais alto, um companheiro com quem possa dividir experiências, constituir família e patrimônio, com os pés bem fincados na realidade, por esse mesmo motivo quando não se consegue atingir essas metas por falha de um deles o casamento termina e a amizade muitas vezes permanece, porque a divergência se mostrou só no convívio amoroso.
Os homens embora ainda tenham lá no fundo a mesma busca do tipo Édipo Jocasta; perderam um pouco do interesse no casamento, visto que o excesso de liberdade das mulheres mudou as regras do jogo passando-as de caça a caçadoras. O instinto do homem de ser o cortejador lhe concedia a fama de ser o dono da situação e a partir do momento em que a mulher inverteu esse papel e colocou o homem num pedestal como se fora um objeto; causou nele desinteresse pelo casamento como ato institucional e instigou sua vaidade que o torna de certa maneira desdenhoso para com as mulheres.
A parcela de futuros maridos prefere mulheres que tenham uma carreira profissional e independência financeira, são esses os que olham a mulher não como um adorno para o lar e sim com uma companheira, alguém com quem além de dividir a cama e a mesa tenha motivos outros para conviver. Nesse caso a inteligência da mulher e a sua realização pessoal e profissional também se tornam um atrativo para o homem.
Há ainda uma generosa quantidade de mulheres que preferem não se envolver em compromisso sério e viverem quase que exclusivamente para a realização pessoal e profissional. O mundo moderno abriu as portas para as mulheres crescerem profissionalmente até em profissões que antes eram de exclusividade dos homens, com isso está surgindo mais e mais a mulher independente voltada para a sua satisfação, que pode optar em ter filhos como “produção independente” , com a participação masculina sim, mas sem que necessite da paternidade na criação ou na manutenção da sua cria.
Dos relacionamentos de iguais não tenho ainda uma opinião totalmente formada, meu contato com esse tipo de relação ainda é pequeno para observação, ele só se dá na esfera das celebridades, ou seja longe do meu âmbito social.
É mais fácil falar dos modelos pré-estabelecidos pela sociedade que os considera “normais”, por fazerem parte do nosso dia a dia, entretanto a multiplicidade de modelos de relacionamentos vem ganhando espaço no mundo moderno por afinidades indiscutíveis e para essa gama de modelos é preciso um capítulo à parte.



Boa Noite ( da série boa Noite)


Se me cerco de mil palavras e gestos, é porque sei que faço deles, meu elo com o mundo que atravessa minha soleira, um mundo que não aceita silêncios, não entende olhares. Não gosta e não conhece excesso de franqueza. Não compreende a beleza simples das expressões naturais.
Se receio contatos e toques é porque as mãos que me esbofeteiam hoje, me acariciaram ontem. Se recuso beijos é porque o selo frio dos lábios me assusta, tanto quanto promessas, não cumpridas.
Tenho as frestas entreabertas, e guardo as luas encobertas para que só meus olhos as toquem, uma a uma, em cada fase.
Não me dou em bandos, não me acho além dessas quatro paredes; tenho a sede dos oceanos, mas braços de rios.
Tenho a infinitude da imensidão, a solidão dos astros e a liberdade dos ventos.
Tenho olhos de constelação e brilhos emprestados.
Vejo a vida pelo espelho da minha retina, onde costuro no tempo o que vestirei na eternidade.
Tenho plumagens e não sou pássaro.
Tenho cores e não sou o arco-íris.
Ando solta e sem laços porque sou única
e não me encaixo em nenhuma fenda.
Não nasci para oferenda, mas tenho meu nicho de adoração, onde cultuo e brindo a mansidão serena que me visita em rasgos.
Da minha soleira para o universo
basta um momento, um pensamento.






Há relacionamentos abertos onde cada qual tem a sua liberdade sem que o outro interfira, não sei se é um relacionamento sério já que não há fidelidade nem compromisso de ambos os lados.
A maior dificuldade dentro de um relacionamento hoje é manter a fidelidade, já que hoje as mulheres também descobriram na traição uma forma de dar o troco ao que os homens sempre fizeram. Embora nem sempre a traição seja usada como uma forma de vingança, o que ocorre é que a partir da liberação das mulheres elas resolveram experimentar tudo que antes não lhes era dado o direito.
É preciso lembrar que a traição sempre existiu por parte de ambos os sexos, o que mudou foi que antes era quase que um privilégio exclusivo dos homens e hoje a mulher trai tanto ou mais que o próprio homem.
Além da traição há outros fatores que minam as relações como a falta de responsabilidade em assumir cada qual a sua parte dentro do compromisso, a falta de tolerância para com os erros e defeitos do outro. Há sempre a expectativa de se encontrar outro (a) parceiro (a) que não possua o mesmo defeito, assim os casais estão sempre olhando ao entorno e fazendo comparações.
A facilidade com que se entra e sai de um relacionamento acaba por deixar as pessoas insatisfeitas e sem ânimo de estabelecer um compromisso mais sério e duradouro.
Na minha geração ainda se encontram casais que completaram bodas de prata, casamentos duradouros apesar de todas as dificuldades, entretanto os mais jovens não tem a mesma paciência para lidar com essas mesmas dificuldades, basta observar suas críticas dirigidas aos pais e seus comportamentos.
Muito embora a minha geração tenha sido a geração que inaugurou o desquite e o divórcio e foi a geração que primeiro experimentou a troca de parceiros ainda é uma geração de casamentos longos, ainda que sejam dois casamentos, diferentemente das mais novas onde os casamentos terminam bem antes de completar 7 anos.
Apesar de tanto experimentarem relacionamentos, tanto homens como mulheres, não aprenderam ainda a poupar os filhos de seus desvarios, evitando colocar no mundo filhos sem uma família para servir de apoio para seu crescimento e desenvolvimento social. Ao se envolverem em vários relacionamentos sem saber ao certo se algum deles vai se tornar um relacionamento sério, seria preciso que ambos tomassem cuidados para evitar que tantos abortos fossem feitos comprometendo a saúde de tantas mulheres, e o nascimento de filhos indesejados, frutos de um prazer passageiro.
A cada dia se pode ver nos noticiários quantos filhos são jogados no lixo após o nascimento, como se fossem algum objeto sem importância, conseqüência do pouco valor que se dá a vida.
Eu ainda me pergunto o porquê dessas mães não terem usado a camisinha ou outro método anti-conceptivo, já que o nível de informação hoje é massificado e excluindo o interior dos estados onde a mídia não chega com o mesmo volume de informações fica quase impossível acreditar que seja só falta de cuidado.
Não acredito faltar informação para esses jovens, acredito sim, na falta maturidade e de perspectivas de ambos quando se jogam nos relacionamentos, usando os mesmos somente para extrair dele prazer inconseqüente. Não obstante terem esses jovens o exemplo de outros jovens e muitas vezes até seus amigos, acabam incorrendo no mesmo erro.
Dentre os jovens que tem um nível de escolaridade maior também há ocorrências desse tipo, porém em quantidades menores; esses jovens priorizam seus estudos e para tanto tomam mais precauções a fim de evitarem que fuja do controle o relacionamento e que produza frutos indesejados que podem atrapalhar os estudos e uma futura carreira.
Como a experimentação das relações completas começa muito cedo e sem restrições é comum verificar jovens ainda completamente desiludidos com os romances e desinteressados em firmar compromissos mais sérios e duradouros, não há expectativas nem novidades tudo já foi consumido desde muito cedo