quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ego ou Eu social

O meu reflexo humano nem sempre representa o que meu eu gostaria de dizer, já que ele quase sempre usa e abusa da imagem mais imediata de mim, ou a que o mundo espera de mim: meu ego.
Não é tarefa fácil conseguir passar de si só a essência pura, a que traz o melhor perfume; seria ela a nossa melhor apresentação ao mundo; faria com que as pessoas nos conhecessem a intimidade dos pensamentos, os sentimentos e as emoções sem máscaras, porém o medo de não sermos aceitos, aquele medo da rejeição por sermos diferentes dos nossos pares fazem com que automaticamente o nosso reflexo busque socorro no nosso eu social, o que se exibe na superfície mostrando unicamente o que interessa para ser aceito.

O eu social é uma invenção do homem por ele temer não saber ser verdadeiro o tempo todo, ou por temer não ser aceito como verdeiramente é. Lidar com uma rejeição ou outra até não é muito complicado, mas não ser aceito nos círculos em que convive é muito difícil para o homem que tem a natureza gregária. E justamente para não se sentir diferente dos seus pares, inventou o eu social que lhe apresenta ao mundo de forma polida ( no sentido do belo) mostrando um eu sempre limpo e apresentável sem que a verdade do seu eu essência nem sempre tão belo e limpo empane a apresentação desejada.
A essência quase sempre é uma desconhecida porque o mais importante acaba sendo passar o eu social, que acorda e dorme diante do espelho de si mesmo matando irremediavelmente o melhor de cada um, ou seja, escondendo a essência. A verdade inalienável que se esconde sob o manto de falsa socialização, muitas vezes nem é compreendida de tanto ser ocultada, muitas vezes até de si próprio.

Entrei em contato com minha essência quando me percebi como pessoa por inteiro, até então sem saber se era minha face oculta ou se loucura. Cheguei a imaginar que eu era uma fraude de mim mesma, até me compreender como uma pessoa em muitas nuances e uma essência bruta que nem sempre sabia penetrar.

Muitas pessoas se descobrem quase por acaso, outras porque se buscam incessantemente e outras passam a vida toda sem se conhecerem de frente, sem saberem quem verdadeiramente são. Não é falso o sujeito que se mistura e nunca sabe quem é o seu eu social ou a sua essência, não passa de um sujeito incompleto e confuso; porque ora ele apresenta um, ora apresenta outro sem ao menos entender conscientemente porque o faz, mas sem dúvida ele apresenta da porta pra fora o seu eu social (ego) e muitas vezes o faz também dentro de casa a maior parte do tempo sem perceber a confusão entre um e outro.

A essência pode ser algumas vezes só expressa através da arte, sem que o sujeito o faça intencionalmente, por mais que o sujeito se esconda atrás do seu eu social, quando ele cria quem na verdade está criando é a sua essência, o seu eu real; e é essa a verdadeira arte, a que emociona, se assim não for é porque a arte não é arte e sim uma obra técnica sem a participação da essência; uma pseudo arte criada pelo eu social para envaidecer mais ainda o ego. Certamente não emocionará.

O veneno do homem está no seu eu social ( ego) que nunca está satisfeito consigo próprio e se sufoca de traumas e somatizações para agradar e para se sobrepor, especialmente num mundo competitivo como é o mundo moderno, esquecendo-se completamente de desvestir as máscaras diárias para se encarar de frente, aceitar suas limitações, frustrações e conviver com elas sem se agredir ou se culpar por não conseguir atingir o topo alto que se impõe, seja no plano da apresentação pessoal ou financeiro.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fractais

Solto as rédeas do pensamento e deixo que ele voe para onde lhe convier, já não sou a mesma desde que amanheceu, hoje eu não posso mais conter nesse pequeno pote a vida que tenho e a que quero.
Joguei os anéis, livrei-me das roupas apertadas, só quem me acompanha sem escolha é minha sombra.
Sustento meu eu quase físico porque esse, miro no espelho e dele preciso para me mover entre os espaços limitados por onde eu sobrevivo enquanto vivente; meu eu subjetivo não alcanço mais de tão longe que sei estará e rindo da pequenês do meu bobo aglomerado atômico.
Não sei se quem escreve é o meu eu mais presente ou o eu pensante, certamente não é o eu que me espia. Talvez o meu eu presente seja a minha pior apresentação, apesar de bem articulado e um resultado de experiências tantas que aos poucos o tem lapidado.
Desmembrando minhas porções existenciais descubro que nem sempre meu eu mais pensante consegue interagir totalmente com o meu eu mais presente, o que se comunica e transporta para o mundo real as intrincadas relações existentes no mais recôndito de mim.
Reconheço-me em muitas facetas, sei-me em muitas nuances e em tempos que não retenho nas mãos já que ele não se mede em ponteiros. Hoje já não consigo mais juntar as partes soltas que descobri em mim; visto-me das pessoas que tenho nas algibeiras porque essas pessoas fractais me servem de roupas adequadas nada mais.
No espelho de mim, visto-me das certezas de ser para encarar a certeza dos meus passos, não há espaços vazios, desconhecidos sim, vazios; nunca.
Meu eu infinito, aquele que engloba a minha verdadeira essência mora no altar das divindades, já que como essência é divina e forjada a semelhança do Criador, é a porção que nem o meu eu mais sutil alcança. A distância que separa o eu bruto do eu infinito é puramente física para os meus olhos.
Muitos encaixes me contêm, muitos moldes se ajustam a mim e só me reconheço nessa malfadada
carcaça, embora sinta as múltiplas dimensões que me cercam. Talvez tenha sido talhada para enxergar
essa imagem unidirecional refletida e chapada sem questionar, mas eu vou além; tateando pelo escuro, sentindo as sensações, cheiros, volumes e pensamentos que reconheço volitando no meu entorno até descobrir que não me caibo mais nessa meia verdade que o mundo aceita de mim.

segunda-feira, 22 de março de 2010

A essência de cada um pode mudar?

As vezes me pego pensando se não seria melhor ter nascido longe dos livros e sem essa enorme curiosidade que me move. Quanto mais eu enfio a cara nos livros, mais e mais as dúvidas me assaltam. Quanto mais eu me pergunto, quanto mais eu reflito, mais eu me deparo com perguntas e mais perguntas que não sei as respostas.
É angustiante querer entender e não saber por onde caminhar para descobrir. Aceito, na maioria das vezes, a minha própria definição ou as minhas deduções. Não que não existam respostas, claro que elas devem estar por aí, certamente muita gente já se perguntou, estudou, definiu e ficou satisfeito com suas buscas, eu porém, vivo às voltas com dúvidas imensas, querendo compreender os mecanismos humanos. A observação me ajuda muito, mas não responde a questões que em dados momentos me parecem cruciais e até existenciais.
Se olho para o lado espiritual e até pragmático eu creio que somos todos constituídos por vários corpos vestindo um espírito que é imortal. Bem, se somos espíritos imortais vestindo ao longo dos anos e séculos corpos carnais isso quer dizer que a nossa essência é sempre a mesma, e o que nos diferencia no mundo e nas inúmeras vidas é a círculo em que nascemos, as condições financeiras, sociais, o país, o sexo etc. Enfim respondemos aos estímulos do meio em que vivemos.
Nos é ensinado nas religiões ou doutrinas que creêm no reencarnacionismo que a medida que encarnamos vamos queimando karmas e com isso polindo nossos espíritos, por outro lado outras doutrinas crendo em uma única vida também pregam o desenvolvimento espiritual , a melhora individual de cada ser humano para a eternidade, e aqui a crença também é na eternidade do espírito, ainda que com uma única vida.
Posto isso eu me pergunto: Se a essência é a mesma, se o espírito tem ali em seus registros uma natureza própria e única; como pode ele evoluir sem se perder da sua essência?
É claro que eu acredito, ou quero acreditar no progresso do espírito, mas fico ainda com a impressão de que não se pode mudar totalmente a natureza intrínseca porque esse é o molde no qual ele foi constituído.
Um espírito que traz na sua essência qualidades não vai perdê-las ao longo das sucessivas encarnações porque elas são inerentes ao seu espírito que é imortal. E um espírito que tem desvios de conduta, má formação de caráter será que evolui a ponto de não vacilar nunca mais ou não cair na tentação de fazer uso destes desvios?
Bem, para complicar um pouco mais vamos pensar no seguinte, nos seres humanos encarnados a essência seria o id de cada um, o inconsciente, a parte da psiquê que não temos acesso por livre e espontânea vontade, mas que está lá guardado dentro de nós. O ego é outra partição da psiquê onde estão os pensamentos, comportamentos, a forma e imagem que nás passamos ao mundo de forma consciente . Enquanto o superego é o nosso eu ideal, é aquele policiado por nós, onde só mostramos o que é políticamente aceito e correto.
Visto isso eu imagino então que o id é a nossa mais pura essência já que ela não depende da nossa vontade e está lá no inconsciente; então ela seria a essência pura do espírito com qualidades e defeitos. Agora, se o nosso ego é a a parte consciente, a que mostramos ao mundo, certamente ela terá a influência do id porque ele é a essência do sujeito, encarnado ou não, ainda que ele sofra a influência do meio e o seu espírito esteja sob o efeito do esquecimento de si próprio para a encarnação presente.
E olhando para esse ponto, sem atentar para o lado evolutivo pregado nas doutrinas, ou seja, uma visão puramente racional, eu não posso imaginar um ser humano que traga na sua bagagem espiritual defeitos e qualidades não permitir que elas aflorem, porque certamente elas vão influenciar o seu ego em algum momento.
Estaremos irremediavelmente condenados a não nos livrar da nossa essência se ela nos for perniciosa? Sim, porque a todo momento ela vai aparecer de alguma forma e influenciar comportamentos e ações?
Vamos pensar num espírito que tem hoje por volta de mil anos ( supondo apenas), ele que tem a sua essência imutável ao longo de muitas existências, esteja vivendo encarnado nos dias de hoje, pergunto:
Será que ele é melhor hoje do que era quando foi concebido como espírito?
Não contando com benécias que as doutrinas pregam, olhando pura e simplesmente para uma sucessão de experiências carnais. Teria esse espírito (encarnado nesse momento) evoluído só através das experiências, de erros e acertos, pura e simplesmente?
Não traria esse espírito ranços de sua essência apontando em alguns momentos dessa encarnação, já na 14ª ( mais ou menos) existência carnal, em mil anos de vivências tantas?
Seria o seu ego um manipulador eficaz a ponto de esconder uma essência que não conseguiu se polir ao longo de mil anos de seguidas ingressões carnais?
Se nós não podemos mudar a nossa essência, como então pensar que atingiremos um ponto mais alto pregado em tantas doutrinas? Ou para atingir a nossa melhor condição espiritual visualizando um mundo de seres perfeitos?
Eu entendo como essência o espírito conforme concebido originalmente; com qualidades e defeitos.
É ponto pacífico pra mim, que somos energias imortais, dando-se à ela o nome que for, espírito, alma ou o que for. E pensando assim, não consigo ver saída para esse embate; se concebido sem perfeição, pois assim o sabemos, como querer consertar em uma existência o que é inerente em cada uma dessas energias: a sua essência!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Teoria do Pensamento Caótico

A Terra se movimenta constantemente e nem por isso chega a incomodar, já que não percebemos como é estar à bordo dessa enorme embarcação que navega pelo espaço, mas eis que ela agora anda tremendo tanto que anda deixando aflitos os seus passageiros.
Não sei se chegamos a meia idade de Gaia ou à velhice, pois ela anda tendo ondas de calor ( fogachos??) e ondas de muito frio, neve e chuvas torrenciais que mais se parecem com um período pré-diluviano. Será que a Terra está zangada?
Abaixo e acima de nós existem mistérios que por mais que a ciência estude, não pode explicar porque não alcança. Não é dado a nós que somos um nada diante da infinitude em que vivemos conhecer todos os mistérios do universo.
Tenho cá comigo que o magma que se movimenta dentro da Terra, essa massa quente que dá consistência ao nosso planeta, anda mais agitado que o normal e arrisco a dizer que mais quente também. Vou chamar essa teoria minha de "Teoria do Pensamento Caótico"; é óbvio o título não?
Com o magma se movimentando mais enérgicamente, fica mais aquecido e consequentemente libera mais energia o que faz com que as águas dos oceanos fiquem mais aquecidas e produz o movimento mais constante das placas tectônicas. Essa energia nas falhas das placas onde estão pipocando terremotos constantes também estão em conjunção com os fenômenos acima de nós; como o ciclo solar que tem tido ejeções gigantescas de plasma.
Seguindo essa linha de pensamento; já prevejo uma temporada de vulcões acordando por conta da energia espetacular desse magma.
Além das minhas deduções e dos flares do Sol, se fala por aí que a o nosso sistema solar está atravessando um cinturão de fótons que circula a estrela Alcyone, e que isso pode e vai ocasionar mudanças no nosso planeta.
Isso sem contar com outras inúmeras "teorias" que são despejadas na net todos os dias, algumas querendo ter teor científico e outros, teor religioso e profético.
Como então não ler toda essa gama de informações e criar a nossa própria teoria?
Mesmo sendo apaixonada por astronomia eu nunca aprendi tanto sobre a Terra, o Sol e seus fenômenos como tenho aprendido nos últimos anos, porque tenho me sentido compelida a estudar, pesquisar e ler para não pirar.
Estou dentro dessa nave chamada Terra e tudo que acontecer à ela, certamente me atingirá, seja para melhor ou para pior; por isso me dou o direito de viajar nas minhas teorias, porque afinal de contas sou mais uma pessoa perdida dentro desse tiroteio de informações que bem caracteriza essa era da globalização.
Pode ser tudo uma grande viagem, mas pode ser tudo a mais pura verdade, quanto a nós pobres mortais só saberemos quando o bicho estiver pegando; ninguém vai dar alerta como os alertas de tsunamis, e ninguém vai ver nos telejornais nenhum anúncio de tragédia, seja pela aproximação do Planeta X, seja pra se segurarem porque a Terra está mudando sua órbita ou coisa que o valha.
Uma coisa é certa: Apertem os cintos porque o piloto enlouqueceu!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Ditadura? Censura na Internet?


Tem sido enfático os artigos que recebo falando da volta da ditadura, e eu não consigo achar lógica nisso, pq eu não acho que possa voltar um regime desses depois da experiência que o Brasil tem com a democracia, ainda que meio capenga, até pq já foi demonstrado das mais diversas formas que isso não tem futuro e em todas as nações que tentaram sobreviver com esse regime. Não somos uma republiqueta de bananas ora bolas!
Eu ouço o Olavo dizer que a massa intelectual desse pais está falida e inexoravelmente sem perspectiva e que o Brasil está a um passo de se desmanchar, mas não acho de maneira nenhuma que isso nos faça regredir a ponto de se deixar implantar aqui uma nova ditadura.
É dificil compreender que depois de ter experimentado a liberdade de pensar e agir as pessoas voltem a aceitar a mordaça, nunca mais!
Por outro lado cresce na net também o rumor de censura na internet, também não creio na censura, até prova em contrário, senão vejamos:
A internet surgiu e cresceu de forma tão rápida que hoje tudo se concentra nela e aqui o jorro de informações ligou praticamente todas as pessoas, continentes, países; porém a internet como sabemos é terrs de ninguém e sem lei, não há regras reais para o que acontece aqui nela, como a punição que aos poucos começa se esboçar. É claro que pra tudo que existe no mundo deve haver regras e net não é diferente.
O que eu consigo compreender é que se está se formando alguma "censura" não é para se tornar uma ditadura ou seja lá o que for, é para evitar que o caos se propague por essa mídia que é a mais popular de todas e a mais livre até então. Pode haver erros? Exageros? Pode. Tudo na vida tem seu ponto de equilíbrio e para que todas as pessoas possam desfrutar dessa maravilhosa ferramenta é que se estão estabelecendo regras. Citando Olavo de novo; quem inventa uma coisa não é mesma pessoa que vai aperfeiçoar, portanto ao ser inventado todo invento tem falhas e erros, assim também pode ocorrer com as regras, como aconteceu e acontece sempre com a internet. Não se descobre todos os dias uma maneira de burlar os AVs? Os firewall?
Qualquer pessoa em qualquer lugar, de qualquer idade pode acessar as informações aqui contidas, sejam nos portais, sejam nos grupos, salas de bate-papo ( ninguém mostra RG!) e como por aqui rodam notícias importantes e outras tantas perigosas e outras também mentirosas, é normal que se pense em proteger as pessoas do acesso à elas.
Vejam, não estou concordando nem discordando, o que eu entendo é que tem muita gente, ou melhor, a maioria das pessoas que tem acesso a informações com as quais não sabe lidar, faz bobagem. A internet pode realmente deixar de ser essa terra de ninguém pq nós enquanto seres humanos não aprendemos a lidar com a nossa liberdade e muitos por pura ignorância ou maldade acabam criando e espalhando notícias inverídicas ou prejudicando muita gente.
É preciso enxergar sempre os dois lados para não se atirar pedras antes de se entender o pq das coisas acontecerem.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Big bang

De repente começo a me sentir atemporal, como se não importasse mais o antes nem o depois e o agora só existisse porque posso sentí-lo; é uma sensação estranha como se eu não tivesse mais uma identidade; sou mais uma na multidão, um rosto anônimo que não tem marcas e não escolhe mais nada, represento uma raça e é só.
Não é muito, aliás isso não é absolutamente nem um pouco interessante, não tenho poder, não tenho um nome conhecido por alguma habilidade específica que possa contribuir para o bem comum, nem sou detentora de nada nem tenho meios para mudar nada ao redor de mim.
Paro e penso que nem da minha vida tenho as rédeas pois ela corre ao sabor das possibilidades que não estão nas minhas mãos e quase tudo me foge inexoravelmente, ficando eu somente comigo mesmo e minha indefectível consciência. Felizmente ela não me acusa de inércia, ao contrário, ela sempre me aponta direções, mas que nem sempre posso comandar, e eu luto para me manter na superfície, não na superficialidade.
Onde foram parar os sonhos, os ideais? Será que ainda os tenho escondidos sob as dobras dos dias? Ou os matei com a minha identidade que agora é um mero número de CPF?
Não quero só seguir a multidão, me recuso a ser uma réplica humanóide sem rebeldia.
Quero de volta os meus dias azuis, meus sonhos, minha capacidade de voltar a sonhar.
Quero acordar em outro dia, em outra página da história e voltar a ser um personagem com rosto, passado e futuro.
Cadê os meus pares, meus amores? Cadê os meus pecados?
Estou sem chão e sem tempo, acampada em algum lugar que nem sei mais qual é, sem portas de entrada e sem conhecer as da saída.
Que sentimento me envolve agora? Não importa...daqui a pouco nada mais fará sentido, não haverão mais quadros nas paredes, nem telas frias com entrada para outras casas. Nem meu CPF me identificará...
Quiçá haja alguém para contar o que sobrou do meu big bang.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Usinas

A partir do momento em que um radar descobre em si um canal de comunicação com a sociedade por sua qualidade artística, esse radar passa a se sentir menos estressado, menos frustrado, consequentemente mais equilibrado emocionalmente. Não é preciso necessariamente que esse radar experimente a fama, ele precisa simplesmente descobrir em si o canal da sua habilidade para fazer escoar sua comporta de emoções e sentimentos represados, traduzindo sua comunicação sob a forma artística, ou produzindo sua arte como uma forma de refletir nela o que lhe transborda, ainda que seja unicamente para o seu prazer.
Além da capacidade artística o radar tem a habilidade para com profissões específicas como psiquiatria, filosofia, causas humanitárias em geral e outras.
No mesmo compasso o não radar precisa transbordar, entretanto no caso do não radar ele só precisa de uma válvula de escape que esgote a energia física acumulada na sua usina pessoal, e a energia psíquica acumulada na sua tela mental, já que o não radar faz parte daquela parcela mais ligada às coisas da matéria.
A energia psíquica acumulada na tela mental do não radar advém do seu contato com outras pessoas não radares e com as radares, ou “captadoras”.
O radar tem sua tela mental mais afinada com energias sutis, que são energias ligadas às emoções e sentimentos, daí a necessidade do captador ou radar se comunicar passando esse mesmo tipo de energia.
O acúmulo de energias dentro de uma pessoa tem a mesma força que águas represadas em diques, elas geram força. A força deve ser direcionada para a criação, para o esforço físico ou mental. Quando todo esse potencial energético fica contido sem uso ou explode em violência, em patologia psíquica ou é somatizada em doenças físicas.
Todo tipo de energia acumulada no corpo humano deve ser escoada por canais apropriados, incorrendo esse acúmulo em desarmonia física ou emocional. Nosso corpo funciona como uma máquina e como toda máquina precisa estar equilibrada para funcionar perfeitamente. Vejamos: uma máquina qualquer que pode ser um aparelho eletroeletrônico, se sobrecarregado de energia queima, o corpo humano não queima como um aparelho, mas funciona mal, sente dores, adoece.




Bom Dia (da série Bom Dia)
Angélica T. Almstadter


Quero silêncio para mergulhar dentro de mim, e ouvir os meus sons, quero ouvir o badalar dos sininhos que tocam e tocam anunciando que a paz que eu persigo não mora longe daqui.
Não sei se as portas me incomodam por que estão fechadas, ou se me perturba não atravessá-las. Vou me permitir ir pra rua beber a luz do sol e os barulhos do feriado. Quiçá entre tantos rostos e sorrisos eu perceba que a vida é tão mais intensa do que parece. Que esse sopro que ela me mostra; seja só um brinde; para que eu aceite muito além dessa taça requintada.
Vou pra rua, vou ver gente...preciso ouvir vozes e ver crianças de verdade.
Ver namorados, homens, senhoras, velhos, gente que sai à rua pra viver e respirar como eu preciso fazer.
Não ligo mais para essa tristeza que me persegue, ela parece uma segunda pele, que em muitos dias me faz nua, só para desfilar meus pecados, meus sonhos abjetos, é ela responsável pela cumplicidade que me faz mansa mesmo quando a veia ferve ou o ódio me atiça as entranhas.Ah, não estranhe meu ódio assim brutalmente revelado, ele também percorre algumas linhas mestras, nos intervalos do meu amor escandalosamente rabiscado.
Eu não poderia ser uma balança fiel se não transgredisse os mandamentos. A docilidade das minhas palavras também prova o amargo da fúria, e é assim que rompo as portas e avanço para a multidão, vou em busca do silêncio de dentro de mim, que está na rua, no meio dos transeuntes, pra remoer as minhas palavras, açoitar meus sentimentos, remexer as minhas emoções, conversar com meus pensamentos sem interrupções. Não quero dividir esse estorno de sensibilidade que baila na minha pele.
Vou rascunhar na minha memória as minhas vontades, revirar e revisar os meus conceitos, quando colocar as emoções no lugar eu volto e passo a limpo toda a minha ansiedade.