sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Desapego - Está mais do que na hora

Sentada defronte a um suculento prato de macarrão ao pesto, meu pensamento vagueia. Não a fome não se foi, só o pensar em quem não teria o mesmo prazer de saborear uma comida gostosa me deixou por instantes pensativa.
Na verdade é quase um exercício repetitivo, em quase todos os momentos eu deixo de pensar em mim para pensar no que vai pelo mundo; não que eu seja assim tão desprendida ou generosa. Sou tão egoísta e centrada no meu umbigo quanto a maioria, porém estou tentado mudar, gastando algum tempo para reflexão tentando me desligar dos fios invisíveis que me prendem aos bens materiais, as pessoas ( também!) para que na hora certa eu possa seguir sem me preocupar com o que deixei pra trás.
Mas, é muito mais do que isso, perder o que se conseguiu até com sacrificio para alguma circunstância é quase certo, mais importante que desapegar de um móvel, um quadro, um aparelho qualquer é aprender que só se abre oportunidade para que coisas novas entrem nas nossas casas e vidas quando aprendemos que elas são transitórias e estão emprestadas a nós temporariamente.
Quando eu abro mão de algum objeto sem ficar me lamentando, estou na verdade abrindo espaço para que outro melhor e mais novo entre no seu lugar, ao passo que; quanto mais me apego e protejo meus pertences, mais eu me torno egoísta e quanto mais eu me preocupo em ser roubada ou perder esses objetos, mais eu estou dizendo ao universo que eu quero perdê-la inexorávelmente.
Eu me torno avarenta e meu medo me faz uma vítima em potencial. O que ocorre é que ao invés de eu deixar livre meus objetos e querências para que o universo se incumba de trocá-lo por outros mais novos e eficientes, eu os seguro firme e não permito que as leis assim se cumpram porque  quando eu impeço que as energias circulem de forma adequada eu quebro a lei e abro brechas para que o oportunismo aja contra mim.
Nada que eu tenho no momento é meu e não vão ficar para sempre comigo; tudo quanto tenho está me servindo nesse momento. Não serei escrava de nenhum objeto que me impeça de seguir meu caminho ou de abrir espaço para que a troca seja feita.
E pensando dessa maneira eu ajusto meus ponteiros com o universo; da mesma forma que eu aceito as leis regentes eu entro em sintonia com ele. Quando eu conseguir estabelecer um padrão de energia afinada que vibre na mesma energia cósmica; minha troca com o Cosmo será descomplicada porque no dia que eu atingir essa meta, terei a consciência de que sou imortal e que tudo que vejo em 3D hoje, são meras ilusões, portanto nada se perde e nada se ganha. O que nós, enquanto seres viventes dessa dimensão precisamos são muletas que enganam o Ego, aparências para que outros egos vejam que possuimos ou pensamos ter.
Portanto, tudo que eu preciso é entender o meu próprio ser e deixar que ele busque suas necessidades além das quinquilharias que se quebram ou se perdem nessa dimensão. Preciso dos aparatos para viver aqui, mas não vou me encarcerar para sempre numa dimensão limitada.
Mais importante que aprender a ser gente é aprender a ser imortal. Não como gente, como espírito porque a carne também é uma muleta para essa dimensão.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

**Made in China**


 
- Como pode ser tão baratinhas essas luzinhas? E essas bolinhas, esses enfeites?
- Vou comprar presentes nas lojas de 1,99.
 
Não tem coisa melhor do que comprar um monte de coisas com pouco dinheiro, e as possibilidades são infinitas quando se entra numa dessas lojinhas de chineses ou coreanos que se multiplicam da noite para o dia nas cidades. Eles mal falam a nossa língua, mas contabilizam uma grana alta revendendo produtos "made China". São tantas quinquilharias que os olhos de qualquer um, brilha.
Eu imagino como é para uma criança entrar numa loja dessa onde tudo chama a atenção e imagino que se na minha juventude tivessem dessas lojinhas eu gastaria lá todo meu salário.
Há algum tempo, não muito, meu irmão mandou algumas coisinhas dos EUA pra mim e pasmem a maioria das etiquetas era "made China", eu achei estranho, mas não me deti no assunto. Hoje eu vejo que tudo pode que se comprar mais barato é "made China", e a gente pensando só no nosso bolso e na economia que vamos fazer corremos pra comprar nas lojinhas de 1,99 tudo que conseguimos e encontramos por lá, e até o que não precisamos, porque quando a gente entra nessas lojas, o preço chama atenção assim compramos até o que não precisamos, compulsivamente.
Muitos países deixaram de fabricar alguns produtos porque ficou difícil concorrer com os chineses, outros até terceiram produtos da mão escrava chinesa para se livrar além da concorrência também das despesas trabalhistas, e a China, aquele país imenso amontoado de gente trabalhadora, subserviente ao regime vai inundando o mundo com suas quinquilharias, luzinhas, brilhos de Natal ...e roupas, calçados, eletroeletrônicos, informática; muita falsificação que faz o povo ocidental feliz... 
Eu li outro dia uma crônica que me deixou preocupada; enquanto nós vamos economizando, fazendo a festa com os 1,99, os chineses escravos continuam aumentado seu PIB, fabricando cada vez mais e exportando ferozmente para o mundo.
Nós estamos alimentando a escravidão de um povo que vai se tornando a nação mais poderosa do mundo; ela vai fechando as grandes indústrias pelo mundo e detendo cada vez mais o know all de fabrico. Alguns produtos agora, só se encontra "made China"  e aos poucos vamos delegando a eles a industrialização, enquanto importamos e pesamos na sua balança comercial.
É confortável pelos preços convidativos. Sequer pensamos que atrás de um produto está a condição escrava de muitos chineses que ainda estão felizes  por terem esse trabalho para viver, mesmo que mal.
 
Imagine que amanhã ( daqui uns 10 anos mais ou menos) a China resolva, deixar de cobrar baratinho pelo seus produtos e coloque o preço real. Estaremos todos nas mãos do grande dragão vermelho que estamos alimentando a custa de matar as nossas indústrias, tão tributada e tão desvalorizada. Perderemos a capacidade de produzir porque não teremos mais mão-de-obra preparada para produzir e porque preferimos ficar na zona de conforto de comprar baratinho dos chineses e coreanos que trabalham em silêncio e vão crescendo assustadoramente.
Com uma população obediente, servil, com recursos de um país muito bem capitallizado, inteligente e que afronta até o dólar que foi sempre a moeda mais forte do mundo, a China está prestes a ser a maior potência do mundo e comandar a economia de nosso país.
Estamos alimentando e mimando um dragão vermelho que não sabemos como vai se comportar quando resolver soltar fogo pelas ventas.
A propósito; Você já deu uma olhada pelos etiquetas e rótulos dos seus aparelhos domésticos e enfeites?
 
 

sábado, 6 de novembro de 2010

Liberdade

É muito fácil falar em liberdade, é fácil pregar a liberdade, mas será que sabemos usá-la?
O que você estende por liberdade pode não ser exatamente o que pensa a maioria das pessoas, eu por exemplo, acho que liberdade é o direito de ir e vir, de me expressar e agir, entretanto nem sempre a liberdade que eu procuro exercer na minha vida agrada as pessoas ao meu redor.
Existem regrinhas importantes e nem sempre seguidas; quando eu exerço a minha liberdade não posso desconsiderar as pessoas à minha volta, porque se ao exercer a minha liberdade eu ferir as pessoas não estarei usando a minha liberdade com responsabilidade.
 
A condição suprema de exercer direitos implica em assumir  deveres,
 
Fala-se muito, briga-se muito pela liberdade seja a que preço for, parece que virou um modismo desenfreado proclamar liberdade sem a dimensão exata do que essa simples palavrinha quer dizer. Ninguém desembainha uma espada e dá um grito de liberdade ou sai por aí atropelando os outros para ser livre.
Liberdade se conquista palmo a palmo e só a conquista quem sabe o seu valor.
Liberdade não é um prêmio para egoístas, não é um presente por bom comportamento.
Ninguém que tem o desejo de ser livre sai por aí pisoteando nas regras, ao contrário; quem deseja ser livre luta honestamente para reverter o que não acha justo e luta com armas sensatas, argumentos irrefutáveis, e se as regras são injustas luta-se para modificá-las. Regras constroem a sociedade, as comunidades, lutar para torná-las justas e humanas é correto, desafiá-las não.
 
Mesmo nas jornadas mais difíceis e longas não há que se jogar sujo, porque liberdade não combina com corrupção, não combina com armações, não combina com preconceito e muito menos com falta de orientação. A liberdade vem com a maturação, porque sempre que ela vem sem amadurecimento ela se perde do seu verdadeiro ideal
 
Demos um salto muito grande de gerações em muito pouco tempo, nesse interim abriu-se um rio de liberdade e ao que parece não estávamos preparados para usá-la; metemos os pés pelas mãos, pais se perderam na hora de educar os filhos esquecendo que impor limites também é saudável, educar não é liberar de vez, é saber dosar.
Vamos aprender, mesmo que isso ainda doa muito, não devemos retrosceder, mas olhar adiante com olhos de ver.
 
Liberdade é um bem precioso se usado com responsabilidade, afinal liberdade não é sinônimo de libertinagem.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A complexidade do desamor


Ao invés de festa e boas energias, vemos por todo lado pessoas ainda iradas destilando sua arrogância, seu ódio adormecido.
De onde vem tanto ódio, tanta prepotência? Seriam alguns menos brasileiros que outros?
Quem pregou e alardeou diferenças entre as pessoas, por raça, cor, crença, região ou preferências sexuais?
Por ventura os DNAs de algumas pessoas é gravado com algum metal precioso? Será que trazemos nas nossas certidões pedigree como nossos cães?
Conseguiremos ser melhores que os nossos animais de estimação?
Nascemos todos de um mesmo e igual ato físico, que na maioria e esmagadora das vezes é um ato amoroso, portanto somos, em tese, portadores de amor para o mundo. O que na prática não se realiza.
O que então daria direito a algumas de se autoproclamarem melhores do que as outras? Com que direito algumas pessoas se entitulam como os verdadeiros herdeiros de uma linhagem pura, poderosa e dona da verdade?
Esquecemos que diante do espelho não conseguimos repetir nem a metade do que pregamos diariamente; a menos que desviemos dos nossos próprios olhos.
Temos de nós mesmos uma imagem muito condescendente por isso mesmo defendemos com unhas e dentes nossas posições mesmo quando contrariados, muito mais pelo orgulho de não reconhecer o erro e pedir desculpas, do que mudar de opinião.
Nós humanos somos complexos e complexados, assim o medo do confronto do nosso eu sem máscaras com o nosso eu fachada, nos deixa confusos e amedrontados. Para fugir desse confronto sempre angustiante, quase sempre mentimos para nós mesmos o que faz de nós eternos fingidores.
É claro que a nível consciente nem sempre sabemos separar o que acreditamos verdadeiro e o que é realmente verdadeiro, nesse emaranhado acabamos sabotando a nossa inteligência, nossa saúde e nossa posição diante do mundo.
Na dúvida é melhor calar, refletir para não ter que continuar semeando inclusive em nós mesmos e naqueles que nos rodeiam o desamor e a angústia de não se sentir amado e não saber amar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Líderança

Quem se reconhece como líder dentro de seu círculo?
Quem não o é, certamente é liderado, porque só há dois tipos de indivíduos; o que lidera e o que é liderado. É fácil perceber; o que lidera é o indívíduo que gosta de pensar, costuma criar, organizar e sempre está se movimentando em busca de novidades, o liderado é aquele que prefere seguir a maioria, seja por preguiça mental, incapacidade ou em última análise, por circunstância.
O líder mormente nasce com a capacidade de liderar e se percebe desde os pequenos grupos e a medida que cresce percebe que pode expandir a sua liderança; é assim que nascem os grandes ícones que fazem a diferença, outros vão se reconhecendo ao longo da vida, embora já tenham nascido com essa capacidade. Alguns não conseguem sair do seu pequeno círculo e só imprimem sua marca na comunidade onde atuam, ou na família; dentro desse espaço ele pode nem perceber, mas é requisitado e sua opinião e decisão pesa para os que estão ao seu redor.
Ser um líder não quer dizer necessariamente arrastar uma multidão, pode-se exercer a liderança em pequenos grupamentos, porque onde houver agrupamento de pessoas sempre haverá alguém em que se deposita maior confiança ou a quem se delega maior poder para agir, decidir ou falar em nome de outros.
Quase todos os indivíduos que são líderes tem um ídolo, um modelo em quem se espelham ou se inspiram, porque é através da admiração que o indivíduo resolve representar seus pares.
Os indivíduos que tem um grande poder de liderar e arrastam consigo multidões, tem uma boa oratória ou são carismáticos, ou os dois. Entre eles há os que trabalham em prol do bem e os que trabalham para o mal. O homem tem a natureza corruptível e está sempre balançando entre o bem e o mal, por esse motivo é que alguns quando líderes se perdem dentro do poder que lhes é confiado e acabam se tornando déspostas.
Há o contraponto; indivíduos que adotam posturas sérias e trabalham em função do bem estar do outro porque isso lhe apraz, são esses os líderes que trabalham na seara do bem, justificando a sua condição de líder da forma mais ética.
O mundo carece de líderes para caminhar à frente, precisa daqueles que abracem carreiras de comando, de poder para conduzir as populações, também precisa dos que aceitem ser comandados para que pacíficamente possam conviver em prol de um mundo melhor.
Não quer dizer que os comandados não possam ser pensantes, que deleguem os seus poderes aos líderes sistematicamente; pois isto lhes tiraria o direito de sequer reclamarem quando se sentem insatisfeitos.
Os grandes líderes precisam dos líderes de comunidades, de círculos menores para dialogar com eles; pois esses são os representantes legítimos dos anseios da comunidade. No momento em que as pequenas comunidades não tenham representantes a altura de representá-las as necessidades dessa comunidade já não são respeitadas, ou quando o líderes das comunidades pensam mais no aumento do seu poder e não em representar as suas comunidades, essas também deixarão de ser atendidas.
Quando não há entrosamento entre liderados e líderes, ambos não falarão mais a mesma língua e os direitos e deveres acabam sendo desrespeitados.
Cabe aos liderados terem opinião formada do que desejam que seus representantes mais próximos conquistem junto às lideranças maiores, assim como cabe a eles acompanharem de perto e cobrarem, como forma de garantir a realização e exercerem o seu direito de requererem o cumprimento de promessas.
No entanto há o cansaço daqueles que preferem se abster de pensar, de lutar, há os que preferem ser tutelados, delegando às grandes lideranças a guarda das suas escolhas, indivíduos que se acovardam por comodismo e permitem que disponham de suas vidas, suas terras, seu dinheiro seguindo como gado de um rebanho.
Nem sempre liderar é o melhor papel, porém, alienar-se certamente é o pior papel que o indivíduo pode exercer na sua vida.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Quebrar Elos


Quebrar laços é muito difícil visto que nós seres humanos necessitamos constantemente de companhia, de vínculos. Não sabemos viver só, mesmo quando queremos, é fato que temos nossa necessidade de privacidade sim, mas carecemos de um ombro para recostar, ou simplesmente alguém para sabermos que está ali, numa eventual necessidade.
Mas laços só permanecem importantes quando são laços firmes, constantes, não há como manter um relacionamento unilateral, ou superficial, ou ainda quando desse vínculo não geram frutos; de amor, amizade, companheirismo ou simplesmente de uma troca espontânea de carinho. E ainda que num encontro de pessoas possa haver um conhecimento mútuo, uma convivência tolerável, isso não significa que os laços se mantém firmes, nem significa que hajam laços. Para que se possa haver ganho dos dois lados, é importante que haja troca, a partir do momento que a troca não mais acontece, o relacionamento, fenece, inexoravelmente.
Todo relacionamento, por mais casual que possa ser, sempre deixa marcas, sempre estabelece alguma confiança, e invariavelmente não assinala algumas metas, ou não traça planos. Seja em que campo for, um relacionamento sempre nos trás algum crescimento, pois dentro deles aprendemos muito mais sobre o ser humano que somos ou o outro, seja daquele que difere de nós, ou daquele que se assemelha a nós, podendo nos afinizar com um e com outro com a mesma intensidade, dependendo única e exclusivamente do quanto se doa e do quanto se recebe.
Alguns relacionamentos deixam marcas mais profundas, outros passam e nos deixam ilesos. Das marcas que vincam nossa alma, algumas apagamos com o tempo, outras nos acompanharão pra sempre, variando da intensidade e da profundidade que elas foram tatuadas em nós.
É certo que para relacionamentos mais longos haverá muito mais marcas para se questionar, do que num relacionamento temporário, mas não se deve pensar que sejam menos importantes umas das outras, porque ao seu tempo cada uma delas teve a sua importância, e só saberá dimensioná-las que as tiver, mais ninguém.
Pensando assim, concluo que quebrar elos, é sempre muito complicado, e para tanto é preciso se munir de muita energia, é preciso rasgar mesmo o peito, deixar doer até os ossos.
Para renascer é preciso antes morrer.